O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta sexta-feira (19) a taxa básica de juros de 0,50% para 0,75% ao ano — o maior nível em 30 anos — dando sequência ao processo de retirada gradual dos estímulos monetários após quase 17 anos de política de juros zero ou negativos.
Foi a segunda alta em 2025, após o ajuste feito em janeiro. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado, que já precificava um aumento de 25 pontos-base.
A atenção dos investidores se concentrou, sobretudo, na comunicação do banco central sobre os próximos passos da política monetária e o ritmo gradual de ajustes. A sinalização fez com que o Nikkei 225 (Bolsa de Tóquio) subisse 1%, aos 49.507,21 pontos.
No comunicado, o BoJ afirmou que continuará elevando os juros caso a economia e os preços evoluam conforme o cenário base da instituição. O banco reiterou o objetivo de atingir uma inflação “estável e sustentável” de 2%.
Segundo a autoridade monetária, apesar da alta, os juros reais seguem em níveis “significativamente baixos”, e as condições financeiras permanecem acomodatícias.
O Banco do Japão manteve sua avaliação de que a economia do país se recupera de forma moderada, ainda que alguns sinais de fraqueza persistam. O comunicado reforça a visão de que o crescimento segue sustentado, mesmo em um ambiente global mais desafiador.
Após a decisão, o índice Nikkei ampliou os ganhos e chegou a subir 1,5% durante o pregão. No fechamento, o índice avançou 1%, aos 49.507,21 pontos.
Segundo o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, “a probabilidade de o cenário da instituição se concretizar está aumentando”, com a progressão da economia local e dos preços.
Ueda disse ainda que espera continuidade no crescimento dos salários e avaliou que o mecanismo de repasse entre salários e preços deve permanecer funcional. Por outro lado, reconheceu que é difícil estimar com precisão a taxa de juros neutra da economia japonesa.
Durante a reunião, alguns membros do Conselho demonstraram preocupação com o impacto de um iene mais fraco sobre os preços.
Para a Capital Economics, o BoJ deve seguir elevando os juros até 1,75% em 2027, diante de uma dinâmica favorável entre preços e salários.
Segundo a consultoria, o principal sinal da reunião foi o esforço do Conselho e de Kazuo Ueda em indicar que novos aumentos estão no horizonte.
A avaliação é de que o BoJ demonstra maior confiança na capacidade da economia japonesa de absorver os efeitos de incertezas externas, incluindo políticas tarifárias.
“O Conselho avaliou que os lucros corporativos devem permanecer elevados, mesmo considerando os impactos das tarifas”, afirmaram os analistas.
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