O dólar fechou esta sexta-feira (19) em alta de 0,11% frente ao real, a R$ 5,53, chegando a sexta sessão consecutiva de valorização. Segundo operadores, fatores técnicos comuns ao fim do ano e o aumento das remessas de recursos ao exterior pesaram contra o real.
Parte da pressão foi atenuada pela atuação do Banco Central (BC), que ofertou US$ 2 bilhões em leilões de linha. Nesse tipo de operação, o BC vende dólares à vista com compromisso de recompra futura, o que injeta liquidez no mercado e tende a reduzir a volatilidade do câmbio.
Na semana, o dólar acumulou alta de 2,20%. Em dezembro, a valorização chega a 3,65%.
Apesar do predomínio dos fatores locais, parte da alta do dólar pela manhã foi associada a temores sobre o aperto monetário no Japão. O Banco do Japão (BoJ) elevou a taxa básica de juros de 0,50% para 0,75% ao ano, a segunda alta em 2025.
A preocupação era de que a decisão pudesse levar ao desmonte de operações de carry trade. Essa estratégia consiste em tomar empréstimos em países com juros baixos e aplicar recursos em economias com juros mais altos, como o Brasil.
O presidente do BoJ, Kazuo Ueda, afirmou que novas elevações podem ocorrer se a economia e a inflação seguirem conforme as projeções da autoridade monetária.
Ao contrário do esperado por parte do mercado, o iene se desvalorizou mais de 1% frente ao dólar após o anúncio do BoJ. Esse movimento reduziu potenciais pressões adicionais sobre moedas emergentes, como o real.
No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — operou em alta e rondava os 98,718 pontos no começo da noite. Confira o gráfico DXY (em tempo real):
Dados divulgados pela manhã mostraram que o déficit em conta-corrente foi de US$ 4,943 bilhões em novembro. O resultado ficou levemente abaixo da mediana das estimativas do Projeções Broadcast, que apontava déficit de US$ 5,050 bilhões.
Já o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 9,820 bilhões no mês, próximo ao teto das projeções. Em 12 meses, o IDP equivale a 3,47% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar que cobre integralmente o déficit em transações correntes, também de 3,47% do PIB.
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