O presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), disse haver espaço para que o Brasil se beneficie com compromissos climáticos assumidos por outras nações e regiões. No seu entendimento, o país “tem tudo para ser um grande mercado de carbono”.
Em entrevista ao Poder360, Gussi afirmou que o Brasil “está ancorado em uma matriz energética –e mesmo uma matriz de transporte– muito limpa e com previsão de se tornar ainda mais descarbonizada, por conta do etanol, do biodiesel e do biometano”.
Assista (26min31s):
Em 5 de novembro, a UE (União Europeia) aprovou uma nova meta climática, que busca cortar 90% das emissões até 2040 em relação aos índices da década de 1990. “A Europa tem alguns desafios regulatórios que nós percebemos, com o tempo e com a necessária dose de realismo, […] quanto a soluções que sejam práticas executáveis no curto espaço de tempo que a gente precisa”, disse Gussi.
O Brasil, por sua vez, quer regulamentar o mercado de carbono até dezembro de 2026. Em 16 de outubro de 2025, o Ministério da Fazenda criou uma secretaria extraordinária com esta finalidade. O novo órgão é responsável por:
“As novas experiências com o mercado de carbono vão colocar o Brasil em uma posição bastante privilegiada nesse mundo que deseja, de fato, a descarbonização”, disse.
E completou: “Temos uma experiência de um programa que já tem 8 anos, que é o RenovaBio –política nacional de biocombustíveis lançada em 2017–, que não é um sistema de crédito de carbono no sentido ‘cap and trade’ [de comércio de emissões], como se chama, mas é um sistema de mensuração muito acurada do carbono evitado”.
De 10 a 21 de novembro, Belém (PA) sediou a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). O texto final não incluiu o mapa do caminho para o abandono dos combustíveis fósseis, desejo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O documento, denominado “Mutirão Global: unindo a humanidade em uma mobilização global contra a mudança climática”, foi apresentado em 22 de novembro, 1 dia depois do encerramento oficial. Leia a íntegra (PDF – 163 kB, em inglês).
“Outros países ainda têm uma dificuldade muito grande de enxergar esse mapa do caminho, como sair. Não é que eles não desejem fazê-lo, mas têm, de fato, dificuldades enormes de encontrar como fazer isso acontecer”, declarou Gussi.
O presidente da Unica avalia que a proposta foi “bastante ousada e relevante”, mas é necessária uma “transição energética realista”.
Eis outros pontos da entrevista com Evandro Gussi:
Evandro Herrera Bertone Gussi tem 45 anos. Nasceu em Presidente Prudente (SP). É advogado. Tem mestrado pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e doutorado pela USP (Universidade de São Paulo).
Foi deputado federal de 2015 a 2019 pelo PV de São Paulo. É presidente da Unica desde 2019.
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