A possibilidade de os canadenses obterem versões genéricas dos medicamentos a partir de 2026 pode custar à empresa alguns bilhões de dólares — Foto: Getty Images
Neste mês de dezembro, Época NEGÓCIOS traz reportagens que fizeram muito sucesso entre os leitores. Hoje republicamos a matéria sobre a falta de pagamento de uma conta de US$ 250 pela Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, o que poderá impactar seu faturamento nos próximos anos.
Esta reportagem foi publicada originalmente em junho de 2025:
A Novo Nordisk está prestes a perder bilhões de faturamento nos próximos anos, porque não pagou uma conta de US$ 250 (R$ 1.378).
Segundo o colunista da revista Science Derek Lowe, a fabricante do Ozempic e do Wegovy cometeu um erro no Canadá, país em que versões genéricas de seus medicamentos devem chegar ao mercado no próximo ano.
De acordo com Lowe, a Novo Nordisk chegou a registrar a patente da semaglutida — o principal componente de seus medicamentos para perda de peso e diabetes — mas deixou de pagar a taxa anual de manutenção da patente.
Lowe encontrou uma carta em que os advogados da empresa dinamarquesa pediam até reembolso da taxa de manutenção de US$ 250 (R$ 1.378) em 2017, porque a empresa — hoje avaliada em mais de US$ 350 bilhões — não tinha certeza se queria pagá-la.
Em 2019, o escritório de patentes canadense enviou uma carta à Novo Nordisk informando que não havia recebido o pagamento e que a taxa agora era de US$ 450 (R$ 2.480). Lowe descobriu que, no fim das contas, a empresa nunca pagou a taxa de manutenção — nem mesmo dentro do prazo de carência de um ano — o que resultou no vencimento da patente.
A possibilidade de os canadenses obterem versões genéricas dos medicamentos a partir de 2026 pode custar à empresa alguns bilhões de dólares, segundo algumas projeções.
O imbróglio no Canadá ocorre em meio a tempos difíceis para a Novo Nordisk, que até recentemente era praticamente sinônimo do mercado em expansão de medicamentos para perda de peso, estimado em US$ 139 bilhões em 2030.
A empresa tem enfrentado dificuldades para atender à crescente demanda, perdendo espaço tanto para sua rival Eli Lilly quanto para empresas menores que produzem versões manipuladas desses medicamentos.
Sua nova linha de remédios de última geração para emagrecimento decepcionou. E, após as ações da empresa caírem 50% em um ano, segundo o Quartz, o CEO da Novo Nordisk, Lars Fruergaard Jørgensen, foi demitido em maio.
Procurada pela Época NEGÓCIOS, a Novo Nordisk Brasil afirmou que se manifesta apenas sobre assuntos locais.


