CDS iniciou 2025 aos 214 pontos e caiu 76 pontos ao longo do ano; atingiu 126 pontos na mínima de 2025CDS iniciou 2025 aos 214 pontos e caiu 76 pontos ao longo do ano; atingiu 126 pontos na mínima de 2025

Risco país fecha ano a 138 pontos, menor nível anual desde 2023

2025/12/31 22:37
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Considerado o risco país, o CDS (Credit Default Swap) de 5 anos fechou 2025 aos 138 pontos-base na 3ª feira (30.dez.2025). Esse foi o menor patamar anual desde 2023, quando encerrou aos 131 pontos. Neste ano, o risco diminuiu 76 pontos.

O indicador é usado pelo mercado pera medir o risco de calote da dívida soberana. A queda sinalizou uma melhora na percepção de risco do país entre investidores internacionais, apesar das incertezas fiscais e do cenário político doméstico.

O maior patamar do CDS em 2025 foi registrado em 2 de janeiro, aos 214,38 pontos. O menor, em 125,89 pontos, em 18 de setembro de 2025. A redução do índice coincide com o cenário de maior apetite global por risco, favorecendo pelo enfraquecimento do dólar no mundo e pelo início do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos. O Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) retomou o ciclo de corte dos juros. O intervalo caiu para 3,50% a 3,75% ao ano. As taxas mais baixas diminuem o rendimento dos títulos públicos norte-americanos e aumentam o apetite a risco dos investidores.

Além disso, a política comercial dos Estados Unidos fez com que os agentes financeiros e os bancos centrais dos países diminuíssem a exposição de suas carteiras ao dólar.

O aumento do endividamento e a paralisia governamental (shutdown) dos Estados Unidos também movimentaram os ativos.

Os ativos emergentes passaram a oferecer retornos mais atrativos, o que estimulou a entrada de capital estrangeiro. Até 26 de dezembro, os investidores globais alocaram R$ 26,96 bilhões na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) em 2025. Ao incluir as ofertas de IPOs (oferta pública de ações) e follow-ons, o valor sobe para R$ 28,35 bilhões.

Ao longo do ano, investidores reagiram a mudanças nas expectativas de juros, inflação, política fiscal e ao ambiente externo, num cenário de incertezas recorrentes. O tarifaço implementado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), aumentou a volatilidade.

O BC (Banco Central) elevou a taxa básica, a Selic, para 15% ao ano, em junho, patamar que permanece até hoje. A autoridade monetária defende um aperto monetário prolongado para levar a inflação ao centro da meta, de 3%.

POLÍTICA MONETÁRIA

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicou na 3ª feira (30.dez.2025) que a taxa de desemprego cedeu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o menor patamar da série histórica, iniciada em 2012.

O Banco Central disse que o mercado de trabalho tem demonstrado sinais “incipientes” de desaquecimento. Defende que os “vetores inflacionários” se mantêm adversos e impactam, em particular, a inflação de serviços.

A política monetária restritiva ajudou a sustentar a confiança dos investidores. Os juros altos tendem a ancorar expectativas, reduzir pressões cambiais e aumentar a atratividade de títulos públicos –o que também influencia favoravelmente a avaliação de risco soberano de curto prazo.

As projeções dos agentes financeiros indicam que o dólar fechará 2026 aos R$ 5,50. As incertezas fiscais estão no radar dos economistas. O Banco Central divulgou nesta 3ª feira (30.dez.2025) que o deficit nominal acumulado em 12 meses do setor público consolidado –formado por união, Estados, municípios e estatais– somou R$ 1,027 trilhão em novembro. A dívida bruta do Brasil subiu para 79% do PIB (Produto Interno Bruto) no mês passado e superou R$ 10 trilhões.

Os agentes financeiros avaliam que haverá um crescimento dos gastos públicos em 2025 por causa das eleições. A expansão fiscal pode impactar no consumo das famílias e, consequentemente, pressionar a inflação dos serviços. O movimento pode retardar o ciclo de corte de juros e aumentar o custo da dívida pública.

No cenário eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera em 1º turno contra todos os outros candidatos da direita testados, incluindo Flávio Bolsonaro, segundo levantamento da Paraná Pesquisas.

O estudo também testou possíveis cenários de 2º turno. O petista aparece empatado com a maioria dos nomes de direita testados. Fica à frente só da senadora Tereza Cristina (PP).

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