Meta compra a chinesa Manus — Foto: Reprodução/Manus
A Manus, startup de inteligência artificial fundada por chineses, está sendo adquirida pela Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, em um negócio avaliado em mais de US$ 2 bilhões, segundo o The Wall Street Journal. É um dos primeiros negócios em que uma grande empresa de tecnologia dos EUA compra uma startup com raízes chinesas.
A Manus ganhou notoriedade em março, quando apresentou um agente de IA projetado para executar tarefas de forma autônoma, como triagem de currículos e análise de ações. A startup foi fundada na China e transferiu sua sede para Cingapura em meados de 2025.
Saiba mais sobre ela a seguir:
Lançada em março pelo estúdio chinês de produtos de IA Butterfly Effect, a Manus foi apresentada por seus criadores como o primeiro agente de IA “geral” do mundo, um sistema desenvolvido para realizar tarefas de maneira independente, informou o Business Insider.
Desde o lançamento, a startup vem ampliando as capacidades de seu agente, lançando recursos que permitem usar a Manus para trabalhos de design, criação de apresentações e execução de tarefas diretamente por meio de um navegador web.
Ao anunciar a aquisição, a Meta informou que a Manus consegue executar de forma autônoma tarefas complexas, como pesquisa de mercado, programação e análise de dados.
Em abril, a empresa levantou US$ 75 milhões em uma rodada liderada pela Benchmark, com avaliação em torno de US$ 500 milhões, segundo a Bloomberg. A Manus afirmou neste mês que emprega cerca de 105 pessoas em Cingapura, Tóquio e San Francisco, e que planeja abrir um escritório em Paris em breve.
A Manus foi fundada por Xiao Hong, empreendedor chinês e engenheiro de software que também é CEO da Butterfly Effect. Ele é conhecido como “Red” nos círculos de tecnologia da China, nasceu em 1992 e estudou engenharia de software na Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong.
Após se formar, Xiao fundou a Nightingale Technology em 2015, onde desenvolveu ferramentas corporativas de produtividade, incluindo o assistente Yi Ban para o WeChat, que conquistou milhões de usuários na China, segundo o Business Insider.
Em 2022, ele lançou a Butterfly Effect e apresentou o "Monica", uma extensão de navegador com IA que agrega vários grandes modelos de linguagem.
Após a aquisição, Xiao assumirá um cargo de vice-presidente na Meta.
A Manus foi cofundada por Ji Yichao, também conhecido como “Peak Ji”, que era cientista-chefe da Butterfly Effect. Ji lidera o desenvolvimento técnico e de infraestrutura da Manus, tem 32 anos e foi quem apresentou o agente de IA no vídeo de estreia em março. Ele tem histórico na criação de produtos de tecnologia voltados ao consumidor e foi incluído neste ano na lista Innovators Under 35, da MIT Technology Review.
A equipe fundadora também inclui Zhang Tao, responsável pela área de produto da Manus. Ele foi chefe global de produto da ByteDance entre 2022 e 2023 e ocupou diversos cargos na área, incluindo o de gerente de produto na Tencent, segundo seu perfil no LinkedIn.
A Meta afirmou que a aquisição faz parte de sua estratégia para escalar agentes de IA de uso geral em seus aplicativos e serviços.
Durante o anúncio, a empresa disse que pretende manter a Manus funcionando como um produto independente, ao mesmo tempo em que integra sua tecnologia ao portfólio mais amplo de IA da Meta.
A Manus afirmou que o acordo não será disruptivo para seus clientes e que continuará vendendo e operando seu serviço por assinatura. A empresa também seguirá operando a partir de Cingapura.
Em nota enviada ao Business Insider, um porta-voz da Meta afirmou que o acordo romperá totalmente os laços remanescentes da Manus com a China.
“Não haverá qualquer participação chinesa contínua na Manus AI após a transação, e a Manus AI encerrará seus serviços e operações na China”, disse o porta-voz. Isso inclui o desligamento do assistente de IA Monica e a realocação de funcionários relevantes.
Funcionários da Manus que passarem a integrar a Meta não terão acesso a dados de clientes, e a Meta continuará bloqueando geograficamente o acesso a seus modelos de IA, acrescentou o porta-voz.


