Um robô bartender da Richtech Robotics mostra suas habilidades no CES 2025, em Las Vegas — Foto: rtur Widak/NurPhoto via Getty Images
Mais de 4,5 mil expositores, 350 palestras e painéis, 1.400 startups, público de 140 mil pessoas: os números ajudam a dar a dimensão do que é a CES (Consumer Electronics Show), a maior e mais importante feira de tecnologia do mundo, que neste ano acontece em Las Vegas entre o dias 6 e 9 de janeiro.
Ao reunir os principais lançamentos de empresas como Samsung, LG, Huawei, Sony, Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo, além dos novos chips de IA de Nvidia, Intel, Qualcomm, Arm e AMD, a CES é um ponto de partida essencial para entender como será o ano de 2026.
“O grande trunfo da feira é reunir nomes gigantes como Samsung e LG, mas também empresas mais jovens e bastante inovadoras. É uma celebração de tudo que há de melhor na tecnologia”, disse John T. Kelly, vice-presidente e diretor da CES, em entrevista a Época NEGÓCIOS.
John T. Kelley, vice-presidente e diretor do CES — Foto: Divulgação
Dos celulares dobráveis às TVs high tech, passando por notebooks de última geração, automóveis com IA, dispositivos vestíveis de saúde e até mesmo equipamentos de infraestrutura para cidades inteligentes, a feira vai concentrar as principais inovações do primeiro semestre de 2026.
Haverá ainda palestras com nomes como Lisa Su, CEO da AMD, e Yuanquing Yang, CEO da Lenovo - este último fará sua apresentação na badalada Sphere, o maior e mais avançado palco de Las Vegas. Um conteúdo imersivo foi criado especialmente pelo Sphere Studios para a empresa. É a segunda vez que a Sphere sediará uma palestra do evento: no ano passado, quem falou foi Ed Bastian, CEO da Delta Air Lines.
Público na feira Consumer Electronics Show — Foto: Divulgação
Para Kelley, um dos maiores diferenciais da CES em relação a outros eventos é o fato de ela ser “realmente global”. “O mundo inteiro vem para a CES. Temos pavilhões da Alemanha, França, Países Baixos, Itália, Coreia, Japão e muitos mais”, afirma o diretor do evento. Ele lembra ainda que a conferência tem mais de 25 verticais, incluindo saúde, mobilidade, transporte, casa inteligente, estilo de vida e robótica - além, é claro, de produtos eletrônicos de todo o mundo.
As maiores expectativas do público estão, claro, nos produtos eletrônicos. Entre as apostas dos especialistas estão duas melhorias nas TVs que serão anunciadas na feira: melhor brilho e cores mais intensas e vívidas. A mais recente especificação Dolby Vision 2 e o HDR 10 Plus Advanced da Samsung devem tornar as TVs até duas vezes mais brilhantes do que antes. As TVs OLED da LG também devem receber um impulso, com uma tecnologia quatro camadas que empilha dois OLEDs um sobre o outro, gerando uma imagem de ótima qualidade.
Em relação às cores, serão exibidas pela primeira vez TVs com cores aprimoradas em até 100% do padrão BT.2020 — algo inédito. Isso será feito por meio de luzes de fundo LCD, incluindo novos filtros de cor ou com a tecnologia Micro RGB, que a Samsung lançou no ano passado.
Durante a CES 2025, Jensen Huang falou sobre treinamento de robôs — Foto: Getty Images
Nos celulares, o destaque deve ir novamente para smartphones finíssimos e com telas dobráveis, além da invasão de IA. Um dos aparelhos mais esperados é o Galaxy Z TriFold da Samsung, que tem três painéis de tela em vez de dois — semelhante ao Huawei Mate XT Ultimate Design. Mais conceitos como esses provavelmente serão exibidos na CES - e alguns podem até se tornar realidade.
PCs e notebooks de última geração também devem atrair o público, assim como os chips que os alimentam. A feira deve exibir novos modelos da Acer, Asus, Dell, HP, Lenovo, MSI, Samsung e outras marcas com novos laptops baseados nos chips Panther Lake da Intel. Devem ser máquinas finas e com longa duração de bateria, que contam com a ajuda de processadores potentes, não só da Intel, mas também da AMD e Qualcomm.
Entre as novas verticais do evento está a CES Foundry, que reúne IA, blockchain e computação quântica. “Essa trilha terá mais de 20 palestras mostrando como as empresas estão utilizando essas tecnologias para expandir seus negócios, servir seus clientes e encontrar novas soluções”, diz Kelley.
Na inteligência artificial, deve haver o desfile habitual de robôs de todos os tamanhos e utilidades, com preferência por aqueles que ajudam nas tarefas domésticas - ou pelo menos tentam. E, em computação quântica, Kelley espera que sejam feitos novos anúncios retumbantes, rumo à vantagem quântica. “As novidades na área foram um grande destaque do ano passado.”
Em transporte e mobilidade, trilhas que ocupam uma enorme área do evento, a feira não terá apenas veículos autônomos e elétricos, mas também barcos e equipamentos pesados da indústria. “Também será possível ver como a IA está capacitando o transporte do futuro”, diz o diretor. Espere carros que conversam com o motorista e tornam real a velha fantasia do anos 80, em que o carro K.I.T.T. falava com o dono, na série de TV “Super Máquina”.
Outro destaque é a área de saúde digital, que pela primeira vez focará em longevidade, saúde da mulher e dispositivos vestíveis. “Mostraremos como a tecnologia está redefinindo nossa busca por uma qualidade de vida melhorada, por meio de cuidados remotos em que profissionais usam dados coletados digitalmente para recomendar procedimentos adequados ou até mesmo diagnosticar doenças.”
Dentro dessa trilha, a acessibilidade também merecerá atenção. “Muitas empresas agora estão projetando produtos e serviços voltados para pessoas com deficiências, ou que estão envelhecendo e têm problemas para utilizar produtos tradicionais. Por isso teremos um novo palco totalmente focado em acessibilidade”, diz Kelley.
Conectividade, robótica e cibersegurança estarão no centro da trilha de cidades inteligentes, uma área crescente do evento. “Finalmente estamos começando a entender as possibilidades das cidades inteligentes, e a feira retrata isso, mostrando toda a infraestrutura e componentes que compõem uma cidade conectada”, diz o executivo.
Parte dos avanços, diz, estão sendo impulsionados pelo 5G, enquanto outra parte é resultado do avanço de diferentes tecnologias atualmente no mercado. “Muitos municípios e governos estão construindo cidades inteligentes, ou transformando metrópoles tradicionais em conectadas. Vamos mostrar essas iniciativas e as empresas de tecnologia que as apoiam.”
Na CES, ao contrário de outros eventos internacionais como Web Summit Lisboa e SXSW, os brasileiros ainda não marcam presença. No ano passado, segundo Kelley, os EUA tiveram o maior número de participantes, seguidos pela Coreia, com 14.000 pessoas. O Brasil compareceu com cerca de 400 participantes.
“Estive no Brasil em setembro, conversando com empresários, startups e autoridades governamentais", diz o diretor da feira. "Espero que possamos atrair mais brasileiros para vir à CES, porque acredito que trata-se de uma enorme oportunidade para que eles exibam seu poder de inovação”.
Além do evento em Las Vegas, a CAT (Consumer Technology Association), organizadora da CES, promove encontros menores em países como França e Holanda. “Essas são oportunidades para nos conectarmos com o mercado local”, afirma Kelley. Alguma chance de haver um evento no Brasil? “Quando nossos membros e clientes dizem que precisamos estar em um certo mercado, fazemos nosso trabalho de investigação. Se tivermos uma presença maior do Brasil, quem sabe haja uma oportunidade de fazer algo aí no futuro. Nunca diga nunca.”


