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ONU se reúne nesta 2ª para discutir crise na Venezuela

2026/01/05 19:01
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O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne nesta 2ª feira (5.jan.2026), a partir das 12h (horário de Brasília), para analisar a legalidade da operação militar dos Estados Unidos que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro (PSUV, esquerda).

A sessão foi solicitada pela Colômbia, governada por Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), com apoio da Rússia e da China –países que mantêm posições divergentes em relação aos EUA. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a ação norte-americana como “precedente perigoso”.

A expectativa é que o Brasil peça a palavra para se manifestar –o regimento permite a manifestação de países não integrantes. No sábado (3.jan), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o ataque à Venezuela é “inaceitável”.

O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, enviou um comunicado ao Conselho de Segurança no qual afirmou que a operação representa uma agressão à soberania do país.

Segundo Moncada, trata-se de “uma guerra colonial” destinada a destruir a forma republicana de governo da Venezuela e impor um governo subordinado, com foco na exploração de recursos naturais, incluindo reservas de petróleo. Para o diplomata, os EUA violaram a Carta da ONU.

, porta-voz de Guterres, declarou que o secretário-geral reforça a necessidade de respeito ao direito internacional, inclusive à Carta da ONU, e manifestou preocupação com o descumprimento dessas normas.

O ATAQUE

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou Nicolás Maduro(PSUV, esquerda) e sua mulher, Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

COMANDO DO PAÍS

No início da tarde de sábado (3.jan), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.


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