Governador afirma que omissão abriu espaço para ação dos EUA e defende pragmatismo na relação com governo pós-MaduroGovernador afirma que omissão abriu espaço para ação dos EUA e defende pragmatismo na relação com governo pós-Maduro

Tarcísio diz que Brasil falhou em liderar transição na Venezuela

2026/01/05 19:38
Leu 6 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em crypto.news@mexc.com

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela que culminou na captura e detenção de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) no sábado (3.jan.2026) representa o encerramento de “um ciclo ruim” na história do país e abre a possibilidade de reconstrução política e econômica. Também afirmou que a reação do Brasil à operação norte-americana evidencia falta de liderança regional e isolamento diplomático.

Segundo Tarcísio, o Brasil poderia ter exercido papel central na condução de uma transição democrática. “O Brasil, que é a maior economia e que responde pelo maior território da América do Sul, poderia ter ajudado a Venezuela a construir um processo de transição para uma democracia, mas o Brasil nunca fez isso”, disse.

Para ele, a operação liderada pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano) se deu “pela omissão dos países que não lideraram o processo”. Embora tenha reconhecido que é possível “criticar os meios que foram usados agora, a legitimidade ou não”, afirmou que “algo precisava ser feito e foi feito”.

O governador avaliou que a posição adotada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contraria o sentimento predominante na região. Para ele, a deposição de Maduro foi bem recebida por governos sul-americanos porque o regime era “insustentável” e prejudicial aos países vizinhos.

“A deposição de um ditador que fez tão mal à Venezuela tem que ser celebrada”, afirmou. Tarcísio lamentou a postura contrária de Brasil e Colômbia, ao dizer que, “de maneira geral, a América do Sul está sintonizada nessa necessidade do fim da ditadura na Venezuela”.

Ao tratar do impacto político para o Brasil, disse que o país “se mostrou, nesse processo todo, irrelevante”. Segundo ele, um país com o peso regional brasileiro poderia ter conduzido uma saída “menos abrupta, negociada”. Criticou ainda a relação histórica com Caracas, ao afirmar que Maduro sempre foi tratado como “companheiro, nunca foi ditador”.

Sobre o futuro institucional venezuelano, Tarcísio defendeu a restauração da democracia e a convocação de eleições livres. “É importante um restabelecimento da democracia, com eleições livres, eleições que possam ser escrutinadas, acompanhadas”, afirmou, citando a deterioração do Judiciário e das Forças Armadas ao longo dos anos.

O governador também destacou o potencial econômico da Venezuela no pós-Maduro. Disse que a reconstrução da infraestrutura e a atração de investimentos devem entrar “à ordem do dia” e que o Brasil pode se beneficiar se adotar postura pragmática.

“Oportunidades se abrem para a Venezuela e o Brasil pode ser parceiro também nessas oportunidades”, declarou, ao defender o reconhecimento rápido de um governo legítimo e democrático em Caracas.

Além de Tarcísio, outros governadores demonstraram apoio à operação militar.

O ATAQUE

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

COMANDO DO PAÍS

No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.

Leia mais sobre a ofensiva norte-americana à Venezuela:

  • EUA atacam Venezuela e Trump diz ter capturado Maduro
  • Líderes latino-americanos reagem ao ataque dos EUA à Venezuela
  • Veja imagens dos ataques dos EUA à Venezuela
  • Maduro foi “preso para responder acusação criminal nos EUA”, diz senador
  • Vieira condenou ataque dos EUA, diz chanceler venezuelano
  • Múcio diz que situação na fronteira com Venezuela é tranquila
  • Trump publica foto de Maduro capturado em rede social; veja
  • Mais grave agressão do século, diz PT sobre ação dos EUA
  • Petróleo “roubado” deve ser devolvido, diz JD Vance 
  • Governo da Venezuela pede manifestação de organizações internacionais
  • Maduro e mulher serão julgados em Nova York, diz governo dos EUA
  • Venezuela fecha fronteira com Brasil depois de ataque dos EUA
  • Lula diz que ataque à Venezuela é inaceitável
  • Colômbia mobiliza força pública à fronteira com a Venezuela após ataque
  • Governo Lula discute ataques dos EUA à Venezuela
  • Internautas fazem memes sobre ataque dos EUA à Venezuela
  • Trump diz que María Corina não é a pessoa para comandar Venezuela
  • Vamos governar até uma transição segura, diz Trump sobre Venezuela
  • Chegou a hora da liberdade na Venezuela, diz líder da oposição
  • Leia a íntegra da acusação do governo dos EUA contra Maduro
  • Empresas dos EUA irão explorar o petróleo venezuelano, diz Trump
  • CIA tinha informante dentro do governo Maduro, diz jornal
  • Líderes europeus reagem ao ataque dos EUA à Venezuela
  • Milei associa Lula a Maduro para comemorar invasão dos EUA
  • Líderes no exterior se dividem. sobre EUA na Venezuela; leia notas oficiais
  • Vice da Venezuela, Rodríguez diz que Maduro é único presidente
  • Maduro foi capturado em 47 segundos, diz Trump
  • Saiba quem é Delcy Rodríguez, vice de Maduro que assume a Venezuela
  • Trump e Rubio falam em aumentar pressão dos EUA sobre Cuba 
  • Saiba quem é Cilia Flores, mulher de Maduro capturada pelos EUA
  • Macron pede transição pacífica na Venezuela após ataque dos EUA
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail crypto.news@mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.

USD1 Genesis: 0 Fees + 12% APR

USD1 Genesis: 0 Fees + 12% APRUSD1 Genesis: 0 Fees + 12% APR

New users: stake for up to 600% APR. Limited time!