O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, começou 2026 com leve ajuste, recuando 0,36%, aos 160.538,69 pontos, na primeira sessão do ano. O movimento refletiu, sobretudo, o impacto negativo da decisão da China de estabelecer limites às compras de carne bovina do Brasil, fator que pressionou ações do setor na B3.
O desempenho do índice foi puxado para baixo pelo forte desempenho negativo dos frigoríficos. A maior queda do dia ficou com a Minerva (BEEF3), que despencou 6,77%, em meio à elevada dependência da companhia do mercado chinês, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina.
Na avaliação do estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, a reação dos investidores foi uma resposta direta à definição de uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne brasileira. Segundo ele, apesar da relevância da China para o setor, parte da produção pode ser direcionada a outros mercados, e cargas já embarcadas não devem ser impactadas.
Entre as ações de maior destaque no Ibovespa, a Petrobras recuou 0,83% (ON) e 0,36% (PN), enquanto a Vale (VALE3) avançou 0,58%, ajudando a conter perdas maiores do índice.
No setor financeiro, o desempenho foi misto, com Banco do Brasil em queda de 1,09% (ON) e Bradesco fechando em alta de 0,26% (ON), ao passo que Pão de Açúcar (+4,21%) e SLC Agrícola (+3,67%) lideraram os ganhos, e Cyrela (-3,77%) liderou as perdas do dia.
No câmbio, o dólar voltou a cair com real fortalecido pelo movimento de carry trade (estratégia que explora o diferencial de juros entre países), fechando em queda de 1,16%, a R$ 5,42.
Seu dinheiro pode render mais! Receba um plano de investimentos gratuito, criado sob medida para você. [Acesse agora!]Os mercados globais iniciam a semana impulsionadas por ações do setor de defesa após operação militar dos EUA na Venezuela que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, sob acusação de tráfico de drogas.
O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para esta segunda-feira (5), com participação do Brasil. Neste domingo, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram um comunicado conjunto no qual manifestaram “profunda preocupação” com ações que colocam em risco a estabilidade da América Latina.
Nos EUA, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington manterá o bloqueio às exportações de petróleo da Venezuela como forma de pressionar o novo governo, enquanto as Forças Armadas venezuelanas reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina após a captura de Nicolás Maduro.
No Brasil, destaque para a agenda econômica, com o IPCA de dezembro, que será divulgado na sexta-feira, e a produção industrial de novembro, na quinta-feira, entre os dados mais aguardados.
O mercado segue atento à força do emprego, que mantém pressão sobre a inflação de serviços e reforça a expectativa de que o primeiro corte da Selic ocorra apenas em março.
As Bolsas da Europa avançam puxadas por papéis do setor de defesa, em reação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela. No FTSE 100, mineradoras de metais preciosos também sobem, como Endeavour (4,89%) e Fresnillo (4%).
Destaque ainda para as altas do setor com Leonardo (+6,35%), Saab (+6,15%), Rheinmetall (+7,37%), Renk (+6,10%) , Hensoldt (6,61%) , Kongsberg (4,25%), Dassault Aviation (3,95%) e BAE Systems (4,68%).
Na Ásia, os mercados encerram sessão desta segunda-feira em forte alta também liderada por papéis de companhias ligadas à área de defesa, que avançaram mais de 8%, impulsionando o índice Nikkei em alta de 3,03%.
As demais praças também tiveram alta considerável, com destaque para o índice Kospi, em alta de 3,43%. Na China Continental, após o PMI de Serviços recuar para 52 pontos, o menor nível em seis meses, Xangai fechou em alta de 1,38% e Shenzhen, de 2,25%.
Em Nova York, os índices futuros avançam em meio à reação dos mercados aos novos desdobramentos no cenário geopolítico, após a ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.
Confira os principais índices do mercado:
Os investidores acompanham de perto os desdobramentos da crise na Venezuela e os possíveis impactos sobre o mercado de petróleo, após os Estados Unidos realizarem um ataque ao território venezuelano e anunciarem que passarão a administrar o país e suas reservas petrolíferas.
Em coletiva no sábado, o presidente Donald Trump afirmou que Washington assumirá o controle da Venezuela até que seja concluída uma “transição segura” de poder. Segundo ele, o novo governo será formado por um grupo ainda em definição, e a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, poderia colaborar com a gestão norte-americana após a captura de Nicolás Maduro.
A escalada geopolítica marca uma semana carregada de indicadores, com destaque para o payroll de dezembro previsto para esta sexta-feira (9).
Antes disso, o mercado acompanha na quarta-feira (7) os dados do relatório Jolts e da pesquisa ADP sobre o emprego no setor privado. A expectativa predominante é de que o Fed mantenha os juros inalterados em janeiro.
No sábado, a dirigente Anna Paulson indicou a possibilidade de cortes mais à frente e afirmou estar “cautelosamente otimista” com o processo de desinflação.
O principal dado do dia é o índice de atividade industrial dos Estados Unidos, medido pelo ISM de Manufatura de dezembro. Após frustrar as expectativas em novembro, ao recuar para 48,2 pontos, o indicador deve mostrar uma leve melhora, com projeção de alta para 48,4 pontos.
No Brasil, a agenda da semana inicia com o tradicional Boletim Focus e traz a divulgação do IPC-S de dezembro, com projeção de desaceleração para 0,22%, ante alta de 0,28% em novembro.
Já às 15h, a balança comercial de dezembro deve mostrar superávit de US$ 7,1 bilhões, segundo a mediana das estimativas do mercado apurada pelo Broadcast, após saldo positivo de US$ 5,84 bilhões em novembro. O aumento do saldo no mês decorre de exportações mais fortes, puxadas por carnes e minério de ferro.
Ao longo da semana, o principal destaque da agenda econômica nacional é o IPCA de dezembro, que será divulgado na sexta-feira, e pode ajudar a calibrar as expectativas para a taxa Selic em 2026.
No câmbio, operadores avaliam que o movimento recente reflete um ajuste técnico, com a taxa se acomodando ao novo cenário eleitoral e sem a pressão sazonal das remessas de lucros para o exterior.
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