O embaixador da Venezuela na ONU (Organização das Nações Unidas), Samuel Moncada, declarou nesta 2ª-feira (5.jan.2026) que o ataque que resultou na captura do ex-presidente do país, Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), foi motivado por “ganância” norte-americana aos recursos naturais da Venezuela, como petróleo, energia, recursos estratégicos e posição geopolítica favorável. Moncada classificou o ataque como uma prática “colonialista e neocolonialista”.
“Em 3 de janeiro de 2026, a Venezuela foi alvo de um ataque ilegal e injustificado pelos EUA, incluindo bombardeio, perdas de vidas civis e militares, destruição de estruturas e o sequestro da primeira-dama Cilia Flores e do presidente Nicolás Maduro”, declarou. Também pediu aos EUA que “respeitem as imunidades do presidente e da primeira-dama e os enviem de volta imediatamente e com segurança para a Venezuela”.
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Segundo Moncada, “o direito internacional deve ser respeitado sem exceções ou interpretações seletivas” e que “os eventos representam flagrante violação da Carta da ONU”. Para o país latino-americano, “se sequestrar um presidente for tolerado, a mensagem que se passa para o mundo é de que a lei é opcional”.
O embaixador declarou que o episódio “abre portas para um mundo fortemente instável, em que países com maior capacidade militar podem decidir, pela força política ou econômica, o destino de outros”, o que afetaria “a paz e a segurança internacionais como um todo”.
Disse, ainda, que “em face dos eventos recentes, a Venezuela quer dizer à comunidade internacional que suas instituições estão funcionando normalmente e completamente de acordo com a Constituição”. E reafirmou que o país “acredita em diplomacia, diálogo e paz para coexistir, posição que sempre manteve, mesmo diante de uma agressão dessa magnitude”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
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