A representação norte-americana no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), convocado de forma emergencial nesta 2ª feira (5.jan.2025) para discutir a captura de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) pelos EUA em uma operação militar, declarou que o país “não irá ocupar a Venezuela”.
Segundo o embaixador dos EUA, Mike Waltz, não se trata de “uma guerra contra o país ou sua população”, mas de uma ação contra “fugitivos e narcotraficantes” –se referindo a Maduro e sua esposa Cilia Flores.
Assista à reunião do Conselho de Segurança da ONU:
De acordo com Waltz, a operação “torna indiscutivelmente a região mais segura” e busca responsabilizar Maduro pelos “crimes que cometeu contra a população norte-americana por 15 anos”, incluindo “terrorismo, assassinatos, extorsões e sequestros”, além de ataques a cidadãos dos EUA e ações que “desestabilizaram o hemisfério ocidental”.
Para a Casa Branca, Maduro “enriqueceu com a miséria da Venezuela”, exercendo uma “influência maligna na região”. A autoridade norte-americana destacou, ainda, que Maduro é um “presidente ilegítimo” cujas “eleições foram fraudadas” e que “mais de 50 países, incluindo a UE (União Europeia) e um grande número de países da América Latina, rejeitaram sua legitimidade”.
O governo dos EUA também falou sobre o que seria o Cartel de los Soles –suposto grupo militar e criminoso, formado por integrantes das Forças Armadas da Venezuela, que seria liderado por Maduro. O descrito como “uma organização terrorista” envolvida em “tráfico de armas, narco-terrorismo, tráfico de cocaína e outras drogas” em uma ampla “conspiração internacional”.
Ainda segundo Washington, a repressão promovida pelo regime é “ilegal” e milhões de venezuelanos foram vítimas de suas políticas. O objetivo, portanto, é responsabilizar indivíduos que praticaram crimes e garantir que a região fique mais segura, protegendo civis e combatendo redes de narcoterrorismo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
Leia mais sobre a ofensiva norte-americana à Venezuela:


