O impacto ambiental do Bitcoin voltou ao centro do debate. Entretanto, dados acadêmicos e análises de rede elétrica contestam críticas recorrentes sobre consumo de energia.
O pesquisador em ESG Daniel Batten afirma que nove mitos amplamente divulgados não resistem a evidências empíricas e estudos revisados por pares.
Segundo Batten, a ideia de que o Bitcoin consome mais recursos conforme cresce o número de transações é incorreta. Quatro estudos revisados por pares mostram que o consumo energético é independente do volume transacionado.
Além disso, o Digital Mining Industry Report 2025, da Universidade de Cambridge, confirma esse ponto. O relatório indica que a rede pode escalar sem aumento proporcional de energia.
Outro mito recorrente afirma que a mineração desestabiliza redes elétricas. Entretanto, dados de regiões como o Texas mostram o oposto. A mineração atua como carga flexível, ajudando a equilibrar redes com alta presença de energia renovável.
Não há evidências de que a mineração aumente o custo da eletricidade para consumidores. Segundo Batten, nenhum estudo revisado por pares comprova essa afirmação. Em alguns casos, os preços até caíram devido à maior eficiência da rede.
A intensidade das emissões da mineração de Bitcoin está em queda – Fonte: Daniel Batten
Além disso, comparar o consumo do Bitcoin ao de países inteiros distorce o debate. O IPCC recomenda foco na transformação da matriz energética, não apenas na redução absoluta do uso.
Outro ponto central envolve emissões, o Bitcoin não gera emissões diretas, produz apenas emissões de escopo 2, ligadas ao uso de eletricidade. Atualmente, mais de 50% da energia usada pela rede já é sustentável, segundo dados independentes.
Um gráfico apresentado por Batten mostra queda contínua na intensidade de emissões ao longo dos anos.
Batten também contesta a ideia de que o proof-of-stake seja automaticamente mais sustentável, segundo ele, isso confunde consumo energético com impacto ambiental real.
A prova de trabalho permite mitigar metano, monetizar energia desperdiçada e viabilizar projetos renováveis, um exemplo é o projeto Gridless, na África, que levou energia limpa a cerca de 28 mil pessoas.
Além disso, estudos indicam que a mineração reduz o desperdício de energia solar e eólica, pesquisas de Moghimi et al. mostram taxas superiores a 90% de aproveitamento energético em alguns cenários.
O debate ambiental sobre o Bitcoin avança, mas os dados desafiam narrativas simplificadas.
Evidências científicas indicam ganhos de eficiência, maior uso de energia limpa e impactos positivos nas redes. Portanto, o tema exige menos retórica e mais análise baseada em dados.
O post Bitcoin não “destrói o planeta”: estudos revelam como a mineração pode estabilizar redes elétricas apareceu primeiro em BitNotícias.


