Esboço mostra como será a fachada na nova SP House, em Austin — Foto: Divulgação
No ano em que o SXSW (South by Soutwest) passa por uma repaginação completa, a Casa São Paulo, ou SP House, também sofrerá uma transformação radical. No caso do maior festival de tecnologia e inovação do mundo, realizado em Austin, no Texas, a renovação foi motivada pela demolição do Austin Convention Center, que costumava funcionar como eixo central do encontro. Agora, as atividades serão mais descentralizadas, se espalhando por diversos hotéis e espaços de eventos na região da Congress Avenue.
É também na Congress Avenue, esquina com a Third Street, que está sendo construída a nova SP House. A casa irá ocupar um terreno de 2.200 m² (quase o dobro do tamanho do espaço de 2025), na frente do hotel JW Marriott. Em 2026, a expectativa é que o espaço receba até 18 mil visitantes de cerca de 60 países. Em 2025, foram 15 mil, de 64 nacionalidades.
O SXSW acontece entre os dias 12 e 18 de março, com a programação da SP House concentrada entre os dias 13 e 16 do mesmo mês. A SP House é organizada pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, em parceria com InvestSP, com apoio da prefeitura de São Paulo.
Imagem mostra estrutura completa da nova SP House — Foto: Divulgação
“A mudança se deve a dois fatores”, diz Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. “Houve, claro, a própria transformação física do SXSW. Mas também era evidente para nós a necessidade de um espaço maior, com mais palcos e diferentes possibilidades de palestras, shows e ativações”, diz a secretária. Ao atrair não só brasileiros, mas participantes de diferentes países, a SP House passou a gerar filas dignas da futurista Amy Webb - que, por sinal, também se apresentou por lá no ano passado.
Marilia Marton — Foto: Bob Sousa
Em 2026, o público (o local tem capacidade para 600 pessoas simultaneamente) poderá escolher entre dois palcos de conteúdo, o Ideas Pavilion (para 100 pessoas) e o Business Pavilion (para 40). Dois estúdios de videocast permitirão a gravação e transmissão simultânea de conteúdos produzidos durante o evento. Um terceiro palco será reservado às atrações musicais, com performances ao longo do dia, além de shows à noite. Uma das atrações confirmadas é o Dominguinho, projeto que reúne JP, Mestrinho e João Gomes, e irá fechar a última noite do festival. Detalhe: pela primeira vez, a programação musical da Casa São Paulo vai fazer parte da agenda oficial do evento.
Painéis de LED e containers irão compor a fachada e os stands do São Paulo Garden, um pátio central aberto que deve funcionar como ponto de encontro Haverá ainda o Artists Valley, dedicado à arte urbana e digital, com grafiteiros e artistas assinando a cenografia, o XR Exhibition, com experiências digitais imersivas e a área gastronômica Flavours Space, com bares, cafés e food trucks.
Mais uma novidade da edição de 2026 será a realização, em parceria com a Fundação Itaú, do SP Voices, uma competição para selecionar quatro propostas de conteúdo que vão integrar a programação do espaço no próximo ano. Startups, criadores de conteúdo e organizações do terceiro setor têm até o dia 15 de janeiro para se inscrever pelo site saopaulohouse.com. Os quatro vencedores vão poder apresentar suas propostas em painéis de até 40 minutos.
Ana de Fátima Sousa, Gerente de Comunicação Institucional e Estratégica na Fundação Itaú — Foto: Leticia Vieira/Fundação Itaú
“O SP Voices está alinhado com a prática do Itaú Cultural de mapear eventos e tendências, servindo como um radar de pessoas que estão pensando em temas relevantes nas áreas de cultura, marketing e tecnologia”, diz Ana de Fátima Sousa, Gerente de Comunicação Institucional e Estratégica na Fundação Itaú, braço de fomento à cultura e educação do banco, que abriga o Itaú Cultural, o Itaú Social e o Itaú Educação e Trabalho.
Além disso, Ana acredita que as propostas apresentadas no SP Voices podem gerar resultados práticos, como a identificação de futuros pesquisadores ou parceiros e o mapeamento de novas áreas de pesquisa para a fundação, que irá levar ao SXSW uma comitiva com CEOs de institutos, fundações e organizações de arte, cultura e educação.
“A ideia é democratizar a participação na casa”, diz a secretária. “Queremos atrair startups, ou então representantes de projetos sociais, pessoas que transformam e que inspiram. Não é preciso ter algo já implantado, mas precisa ser um projeto que gere impacto”, avalia. Eventualmente, as startups, criadores ou organizações que se apresentarem podem vir a fazer negócios com o poder público - ou com empresas presentes ao evento.
“As pessoas costumam me perguntar por que a Casa São Paulo é tão importante”, diz Marilia Marton. “A minha resposta é simples: por que se trata de um grande megafone. Com ele, conseguimos mostrar o que o estado de São Paulo está fazendo, o que os empresários estão fazendo e o que os artistas estão fazendo de mais inovador e transformativo. É um grande cartão de visitas, chamando as pessoas para virem conhecer o país e fazer investimentos por aqui.”
Julia Saluh, diretora de Relações Internacionais e Comércio Exterior da InvestSP — Foto: Reprodução/LinkedIn
Trata-se de um evento extremamente estratégico, diz Julia Saluh, diretora de Relações Internacionais e Comércio Exterior da InvestSP - Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade. “Escolhemos o SXSW como vitrine porque o evento permite falar de maneira transversal com muita gente, de muitos setores diferentes.”
Segundo ela, a participação do setor privado é fundamental para o sucesso da casa.“Durante o evento, são realizadas ações junto a investidores internacionais, mostrando São Paulo como um local aberto aos negócios, e a InvestSP como facilitadora”, diz Julia. "Os resultados vêm na forma de negócios, mas também como reputação."
Imagem mostra como será o pátio central da SP House — Foto: Divulgação
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