Porta-voz afirma que intervenção militar enfraquece a soberania dos Estados e a segurança globalPorta-voz afirma que intervenção militar enfraquece a soberania dos Estados e a segurança global

ONU diz que ação dos EUA contra Maduro viola direito internacional

2026/01/06 21:47
Leu 6 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em crypto.news@mexc.com

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, disse nesta 3ª feira (6.jan.2026) que a operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), violou o direito internacional e tornou o mundo menos seguro.

“A responsabilização por violações dos direitos humanos não pode ser alcançada por intervenção militar unilateral em violação do direito internacional”, disse Shamdasani a jornalistas em Genebra, na Suíça.

Segundo ela, a ação dos EUA contrariou a Carta da ONU (Organização das Nações Unidas), que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de Estados soberanos. “Longe de ser uma vitória para os direitos humanos, esta intervenção militar, que contraria a soberania venezuelana e a Carta da ONU, prejudica a arquitetura da segurança internacional”, afirmou.

A porta-voz rejeitou a justificativa dos EUA baseada no histórico de abusos do governo venezuelano e disse que a responsabilização deve se dar por meios legais e multilaterais. “O povo da Venezuela merece responsabilização mediante um processo justo e centrado nas vítimas”, disse, acrescentando que os direitos do povo venezuelano “têm sido violados por tempo demais”.

Depois da operação dos EUA, o governo venezuelano decretou estado de emergência, restringindo a circulação e suspendendo o direito de reunião e protesto. “Estamos particularmente preocupados, dado o histórico do governo em suprimir a liberdade de expressão, de protesto e de reunião, usando o pretexto da segurança nacional”, afirmou Shamdasani.

Na 2ª feira (5.jan), uma declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, voltou a ganhar tração nas redes sociais com a reunião do Conselho de Segurança da ONU que analisou a legalidade da operação militar norte-americana na Venezuela.

Em setembro de 2025, Rubio criticou a ONU por excluir a Venezuela do relatório anual sobre drogas, publicado em agosto. “Eu não me importo com o que a ONU diz. A ONU não sabe do que está falando”, declarou Rubio a jornalistas na ocasião.

Rubio rebateu na época reportagens que negavam envolvimento venezuelano no narcotráfico e destacou o indiciamento de Maduro pelo Tribunal do Distrito sul de Nova York.

Crise humanitária

A ONU também alertou para a crise humanitária no país. Cerca de 8 milhões de venezuelanos precisam de assistência humanitária, segundo o Ocha (Coordenação de Assuntos Humanitários), que mantém um plano de resposta estimado em US$ 600 milhões.

A Acnur (Agência da ONU para Refugiados) informou que monitora a situação nas fronteiras, mas disse que, até agora, não houve deslocamento significativo relacionado à operação militar dos EUA.

“É claro que estamos monitorando de perto a situação na fronteira, a movimentação transfronteiriça e, ao mesmo tempo, atuamos em conjunto com outras agências da ONU e parceiros humanitários para apoiar os esforços de socorro emergencial e proteger as pessoas deslocadas que necessitam de ajuda, conforme necessário”, disse o porta-voz do Acnur, Eujin Byun, também em Genebra.

O ATAQUE

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Na imagem, linha do tempo de operação dos eua na venezuela
Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

COMANDO DO PAÍS

No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.


Leia mais sobre a ofensiva norte-americana à Venezuela:

  • EUA atacam Venezuela e Trump diz ter capturado Maduro
  • Líderes latino-americanos reagem ao ataque dos EUA à Venezuela
  • Veja imagens dos ataques dos EUA à Venezuela
  • Maduro foi “preso para responder acusação criminal nos EUA”, diz senador
  • Vieira condenou ataque dos EUA, diz chanceler venezuelano
  • Múcio diz que situação na fronteira com Venezuela é tranquila
  • Trump publica foto de Maduro capturado em rede social; veja
  • Mais grave agressão do século, diz PT sobre ação dos EUA
  • Petróleo “roubado” deve ser devolvido, diz JD Vance 
  • Governo da Venezuela pede manifestação de organizações internacionais
  • Maduro e mulher serão julgados em Nova York, diz governo dos EUA
  • Venezuela fecha fronteira com Brasil depois de ataque dos EUA
  • Lula diz que ataque à Venezuela é inaceitável
  • Colômbia mobiliza força pública à fronteira com a Venezuela após ataque
  • Governo Lula discute ataques dos EUA à Venezuela
  • Internautas fazem memes sobre ataque dos EUA à Venezuela
  • Vamos governar até uma transição segura, diz Trump sobre Venezuela
  • Chegou a hora da liberdade na Venezuela, diz líder da oposição
  • Leia a íntegra da acusação do governo dos EUA contra Maduro
  • Empresas dos EUA irão explorar o petróleo venezuelano, diz Trump
  • CIA tinha informante dentro do governo Maduro, diz jornal
  • Líderes europeus reagem ao ataque dos EUA à Venezuela
  • Milei associa Lula a Maduro para comemorar invasão dos EUA
  • Líderes no exterior se dividem. sobre EUA na Venezuela; leia notas oficiais
  • Maduro foi capturado em 47 segundos, diz Trump
  • Saiba quem é Delcy Rodríguez, vice de Maduro que assume a Venezuela
  • Trump e Rubio falam em aumentar pressão dos EUA sobre Cuba 
  • Saiba quem é Cilia Flores, mulher de Maduro capturada pelos EUA
  • Macron pede transição pacífica na Venezuela após ataque dos EUA
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail crypto.news@mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.

USD1 Genesis: 0 Fees + 12% APR

USD1 Genesis: 0 Fees + 12% APRUSD1 Genesis: 0 Fees + 12% APR

New users: stake for up to 600% APR. Limited time!