O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), e sua mulher, Cilia Flores, estão detidos no MDC (Metropolitan Detention Center), uma prisão federal de Nova York conhecida por abrigar detentos famosos enquanto aguardam julgamento e por seu histórico de condições perigosas e polêmicas. O casal foi capturado no sábado (3.jan.2026) e levado aos Estados Unidos, onde enfrenta acusações criminais federais ligadas a suposto tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
O MDC, localizado no Brooklyn, é um centro de detenção federal marcado por infraestrutura precária, superlotação e episódios recorrentes de violência, com histórico de rebeliões, mortes de presos e críticas de juízes, advogados e especialistas em direitos humanos. As informações são da Axios.
Além de Maduro e Cilia, atualmente, um preso que está no MDC envolvido em um caso de destaque é Luigi Mangione. Ele aguarda julgamento pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, em dezembro de 2024. Ele foi preso na Pensilvânia depois de 5 dias de buscas. Se declara inocente das acusações de assassinato e terrorismo.
Eis a lista de personalidades de destaque que já estiveram detidas no MDC:
O MDC abriga cerca de 1.336 detentos e funciona principalmente como unidade de custódia temporária para presos que aguardam julgamento ou sentença. Apesar de receber acusados de crimes graves, a maioria responde por delitos menores.
A população carcerária diminuiu nos últimos anos. Em 2024, o Departamento de Prisões dos EUA suspendeu temporariamente o envio de presos ao local depois de juízes se recusarem a encaminhar detentos por causa das condições precárias. Ao menos 2 presos morreram na unidade naquele ano. Um dos advogados classificou o presídio como um “inferno na terra” e afirmou que a morte era evitável. Um juiz citou “ambiente de ilegalidade” e “má gestão inaceitável e mortal” ao barrar novas transferências.
O MDC acumula denúncias antigas. Em 2019, um apagão deixou presos uma semana sem aquecimento durante o inverno. Investigação do The New York Times apontou que o episódio expôs um padrão de negligência e brutalidade. Relatórios e depoimentos de ex-funcionários descrevem a prisão como uma das mais problemáticas do sistema federal, com registros de agressões, abusos sexuais e condições desumanas. Um relatório do Departamento de Justiça concluiu que as autoridades falharam gravemente ao lidar com a crise.
Na 2ª feira (5.jan), Maduro e Flores compareceram a sua 1ª audiência em um tribunal federal em Manhattan, onde ambos se declararam inocentes das acusações apresentadas pelos EUA, incluindo conspiração de narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse de armas ilegais.
A audiência foi de caráter protocolar, destinada principalmente à leitura das acusações e à formalização do processo judicial. Nessa etapa inicial, não se discute o mérito das alegações, somente se estabelecem procedimentos legais e se definem próximas datas do caso. A próxima sessão está marcada para 17 de março.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
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