Jensen Huang, CEO da Nvidia — Foto: Getty Images
A revolução da inteligência artificial (IA) generativa é o trunfo das indústrias de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e chips para estimular um novo ciclo de consumo global. O cenário das apostas é Las Vegas (EUA), onde acontece uma das maiores feiras da indústria de tecnologia, a CES 2026, nesta semana. Quem começou dando as cartas sobre o futuro da IA foi o executivo-chefe (CEOs) da líder de chips Nvidia, Jensen Huang.
No evento, Huang anunciou a nova geração de unidades de processamento gráfico (GPUs) de IA para “data centers” chamada Rubin, que chega ao mercado no segundo semestre de 2026. O executivo também mostrou um modelo de IA para carros autônomos chamado Alpamayo 1, como “a primeira IA para veículos autônomos com capacidade de pensar e raciocinar do mundo” e lançou a segunda geração de modelos de treinamento para robôs, a chamada “IA física”.
“Estamos reinventando a IA em tudo, de chips a infraestrutura, modelos [de treinamento] e aplicações”, disse Huang, ao final da apresentação na CES 2026.
Para o especialista em tendências de tecnologia da Consumer Technology Association (CTA), organizadora da CES, Brian Comiskey, a IA impulsionará uma onda de atualizações de eletrônicos de consumo. “Estamos em um ciclo de atualização de cauda longa, após a pandemia [da Covid-19], quando as pessoas adiaram as atualizações”, disse Comiskey, no domingo (4).
“Apesar dos desafios econômicos, da incerteza e das pressões tarifárias, a CTA projeta que a receita da indústria de tecnologia de consumo dos EUA alcance US$ 565 bilhões em 2026 [incluindo software, equipamentos e serviços]”, disse Comiskey. Isso representa um aumento de 3,7% nos gastos em relação a 2025, acrescentou Comiskey.
A CES 2026 será o momento para tomadores de decisão corporativos “traçarem o plano da visão de IA para suas respectivas organizações nos próximos anos”, disse o analista da Wedbush Securities, Daniel Ives, em comunicado no domingo (4).
“A atmosfera da CES deste ano gira em torno de novos anúncios de chips, produtos impulsionados por IA no ecossistema de consumo e, essencialmente, uma nova era se abrindo para empresas em todo o mundo, prontas para capitalizar entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões em investimentos em IA que chegarão ao mercado nos próximos três anos”, comentou Ives.
Estimular o consumidor a levar a IA para casa é a estratégia de grandes fabricantes que anunciaram novidades na prévia do evento. “Nossa missão é clara: ser seu companheiro para uma vida com IA”, disse o diretor executivo da divisão de experiência de dispositivos da gigante sul-coreana de eletroeletrônicos Samsung, TM Roh, em um discurso no evento, informou a Dow Jones.
Segundo Roh, a empresa que comercializa cerca de 500 milhões de dispositivos por ano, incluindo celulares, TVs e eletrodomésticos, quer criar uma “inteligência multidispositivo”.
Entre os lançamentos da Samsung na CES 2026 estão aparelhos de TV com processadores de vídeo com IA e um assistente de voz capaz de responder qual time é o favorito em uma partida esportiva ou silenciar os comentaristas de uma transmissão e reproduzir apenas o som do estádio e dos jogadores.
O anúncio do CEO da Nvidia na CES 2026 se encaixa na expectativa das montadoras de revigorar a indústria automotiva com a IA. O setor, que ocupa um espaço importante na feira, tem o desafio de implantar carros sem motorista com segurança. “Acredito que essa conectividade autônoma estará no centro das atenções”, disse o líder do setor automotivo nos EUA da consultoria PwC, C.J. Finn.
Já os veículos elétricos foram ofuscados pelo recuo nos incentivos do governo de Donald Trump, forçando muitas montadoras a abandonarem planos de novos veículos eletrificados e a repensarem suas estratégias. (Com Reuters e Dow Jones)


