A inflação ao consumidor da Zona do Euro (CPI, na sigla em inglês) desacelerou para 2% em dezembro de 2025, ante 2,1% em novembro, segundo estimativa preliminar divulgada nesta quarta-feira (6) pela Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia.
O resultado ficou em linha com as expectativas do mercado e marcou o retorno da inflação à meta oficial de 2% do Banco Central Europeu (BCE) pela primeira vez desde julho de 2025.
O núcleo do CPI, que exclui os preços de energia e alimentos por serem mais voláteis, recuou para 2,3% em dezembro. Em novembro, a alta havia sido de 2,4%. O dado também veio em linha com o consenso de analistas.
O núcleo é acompanhado de perto pelo BCE por refletir melhor a tendência estrutural da inflação, sem oscilações pontuais causadas por choques externos.
Na avaliação do ING, a desaceleração da inflação para a meta abre espaço para que o BCE aguarde novos sinais da economia antes de decidir sobre os juros. O banco lembra que a autoridade monetária europeia projeta inflação ligeiramente abaixo de 2% em 2026 e 2027, com retorno à meta apenas em 2028.
“Com expectativas como essas, espera-se que as taxas de juros permaneçam estáveis por enquanto”, afirma o ING, acrescentando que o BCE tem descrito o cenário atual como “um bom lugar” para a política monetária.
O ING não projeta uma queda acentuada da inflação abaixo de 2%, embora considere o cenário possível. Segundo o banco, ao longo de 2026, pressões inflacionárias podem voltar gradualmente, impulsionadas por estímulos fiscais e pela melhora do crescimento econômico.
A Capital Economics avalia que a desaceleração da inflação em dezembro e a possibilidade de nova queda em janeiro não devem, por ora, alterar a postura do BCE. No entanto, a consultoria afirma que cortes de juros podem voltar ao radar caso a inflação fique abaixo das projeções oficiais.
De acordo com a Capital Economics, a inflação mais baixa da energia tende a reduzir a taxa cheia para cerca de 1,5% em janeiro. A consultoria também espera desaceleração dos preços de alimentos ao longo do ano.
No caso da inflação subjacente, a expectativa é de queda gradual, refletindo um crescimento mais lento dos salários e a desaceleração de componentes com ajuste defasado, como seguros.
Segundo a consultoria, se esse cenário se confirmar, cortes nos juros do BCE se tornam mais prováveis a partir de 2026.
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