Uma ação coordenada envolvendo ao menos 46 perfis em redes sociais promoveu, ao longo de aproximadamente 36 horas, uma série de publicações críticas ao Banco CeUma ação coordenada envolvendo ao menos 46 perfis em redes sociais promoveu, ao longo de aproximadamente 36 horas, uma série de publicações críticas ao Banco Ce

Perfis em redes sociais mobilizam ataque coordenado contra o BC após liquidação do Banco Master

2026/01/07 22:26
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Uma ação coordenada envolvendo ao menos 46 perfis em redes sociais promoveu, ao longo de aproximadamente 36 horas, uma série de publicações críticas ao Banco Central (BC) e a agentes públicos ligados à liquidação do Banco Master, apontam publicações da Folha de S.Paulo e Estadão desta quarta-feira (7).

As mensagens passaram a circular de forma simultânea e concentrada, questionando decisões adotadas pelo regulador, além da atuação de entidades representativas do sistema financeiro, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A liquidação do Banco Master foi determinada em novembro pelo Banco Central e segue sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

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Conteúdo parte de perfis fora do debate econômico

Segundo o jornal, parte relevante dos perfis mobilizados não atua na cobertura de temas financeiros. São páginas voltadas a entretenimento, celebridades e fofocas, que passaram a publicar conteúdos sobre o caso Master sem histórico de atuação no debate econômico.

Essas contas divulgaram mensagens com críticas ao processo de liquidação e ao veto à tentativa de compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB), operação analisada e rejeitada pelo Banco Central.

Ex-dirigente do BC é o maior alvo dos ataques

Conforme apurado pelo Estadão, embora postagens mencionem o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente da Febraban, Isaac Sidney, o foco principal das publicações recaiu sobre o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Dias Gomes.

Foi a diretoria comandada por Gomes que recomendou o bloqueio da operação de venda do Master ao BRB. Os fundamentos técnicos desse parecer também embasaram informações posteriormente encaminhadas ao Ministério Público Federal.

A intensificação das publicações ocorreu em paralelo à disputa judicial travada no Supremo Tribunal Federal (STF) e no TCU entre investigadores do caso e a defesa do Banco Master.

Pressão a Renato Gomes antes do ataque nas redes sociais

Antes da decisão definitiva do Banco Central, a imagem de Renato Gomes foi exibida em outdoors instalados em Brasília, em uma tentativa de pressão pela decisão pró Banco Master.

O episódio acabou fortalecendo o alinhamento interno no colegiado do BC, que decidiu de forma unânime pelo veto à operação em setembro.

Gomes deixou o cargo no fim de dezembro. Procurado, ele não comentou publicamente os ataques. A pessoas próximas, afirmou que não vê sentido em responder ao conteúdo divulgado nas redes.

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Publicações citam insegurança e o mercado de crédito

Em uma postagem realizada no dia 2 de janeiro, o perfil @divasdohumor afirmou que a atuação de Gomes no Banco Central teria resultado em instabilidade no sistema financeiro. O conteúdo menciona alterações frequentes em regras, interpretações variáveis de normas e ausência de sinalização clara ao mercado.

“O papel do Banco Central é reduzir incertezas. Quando decisões são mal explicadas, o efeito se espalha por todo o sistema, atingindo grandes instituições e também o crédito na ponta”, afirma a publicação.

O mesmo perfil é alheio a discussões do mercado financeiro e costuma alternar conteúdos sobre celebridades e entretenimento.

Febraban identifica movimentação fora do padrão sobre o Banco Master

Em meio aos ataques nas redes sociais, a Febraban detectou um volume incomum de postagens citando a entidade no fim de dezembro. Segundo a federação, está em curso uma análise para verificar se houve uma ação articulada contra a instituição.

“A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade”, informou em nota. A federação acrescentou que, nos dias seguintes, houve redução relevante desse fluxo de publicações.

A entidade esclareceu ainda que realiza monitoramento periódico de menções ao setor bancário e à sua atuação, mas que os levantamentos têm uso interno e não são divulgados.

Defesa pública pela atuação do Banco Central

No fim de dezembro, a Febraban divulgou, em conjunto com outras entidades do setor financeiro, uma nota em defesa das decisões técnicas do Banco Central no caso Master. O documento ressalta a importância de preservar a autoridade do regulador para evitar um “cenário gravoso de instabilidade”.

O texto foi assinado por instituições como Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), Zetta e Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin).

A manifestação ocorreu às vésperas de uma acareação determinada pelo ministro Dias Toffoli, do STF, envolvendo Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O diretor do BC acabou dispensado da acareação e prestou apenas depoimento.

Participação de agências e perfis de grande alcance em campanha pró Banco Master

Entre os perfis que publicaram conteúdos críticos ao BC e outras entidades estão páginas como @festadafirma e @futrikei. O primeiro perfil divulgou, em 31 de dezembro, informações sobre depoimentos prestados à Polícia Federal por Vorcaro e pelo presidente do BRB.

A página é representada comercialmente pela Banca Digital, que afirmou ter recusado convite para divulgar material sobre o Banco Master. Segundo a empresa, o conteúdo publicado foi orgânico e sem qualquer tipo de remuneração.

Já a página Futrikei, com mais de 25 milhões de seguidores, publicou texto semelhante, afirmando que a acareação não teria apresentado novos fatos relevantes. O perfil é agenciado pelo Grupo Farol.

Outro portal do grupo, o Alfinetada, publicou conteúdo mencionando especulações sobre o futuro profissional de Renato Gomes.

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A reportagem da Folha identificou ainda perfis administrados pela agência Deubuzz que publicaram críticas ao ex-diretor do BC no mesmo dia. As empresas Deubuzz e Grupo Farol não responderam aos questionamentos até o momento.

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