O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou nesta 6ª feira (9.jan.2026) o acordo aprovado entre o Mercosul e a União Europeia depois de 26 anos de negociações. Lula classificou a conclusão como um “dia histórico para o multilateralismo”.
O acordo de livre comércio busca reduzir tarifas alfandegárias e facilitar o comércio de bens e serviços, além de incluir compromissos nos setores de propriedade intelectual, compras públicas e sustentabilidade ambiental.
Em seu perfil oficial no X, o presidente afirmou que o tratado entre os 2 blocos foi finalmente firmado depois de mais de 25 anos de negociações, sendo um dos maiores de livre comércio do mundo.
O pacto comercial conecta regiões que somam aproximadamente 718 milhões de habitantes e representam um PIB conjunto estimado em US$ 22,4 trilhões, conforme dados divulgados pelo governo brasileiro.
Lula ressaltou a importância do acordo no atual cenário internacional, marcado pelo aumento de medidas protecionistas e ações unilaterais. Segundo o petista , o tratado sinaliza um compromisso com a defesa do comércio internacional, contrariando tendências isolacionistas observadas globalmente.
“É uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre países e blocos”, afirmou.
Embora o lado europeu já tenha chancelado a decisão, o processo de implementação ainda não está completamente finalizado. Existem resistências internas em alguns países do bloco, em especial a França, que precisarão ser superadas antes que o acordo entre efetivamente em vigor.
O tratado estabelece a simplificação de regras comerciais, redução de barreiras e maior previsibilidade nas relações econômicas entre os dois blocos. Para o Brasil, como integrante do Mercosul, o acordo representa uma oportunidade de expansão das exportações e atração de investimentos europeus.
O acordo ainda precisa ser assinado formalmente e ratificado tanto pelo Congresso Nacional quanto pelo Parlamento Europeu. Até as 13h desta 6ª feira (horário de Brasília), os países-membros da União Europeia puderam apresentar objeções ao texto. França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria manifestaram oposição, enquanto a Bélgica optou por se abster.
Com o prazo encerrado, o documento segue para análise do Parlamento Europeu. Caso receba aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinará o acordo com o Mercosul. Inicialmente, era esperado que ela viajasse para o Paraguai na próxima 2ª feira (12.jan) para assinar oficialmente o acordo, mas o governo brasileiro informou nesta 6ª feira (9.jan) que não há ainda data e local para a formalização entre os blocos.
O Paraguai assumiu a presidência rotativa do bloco sul-americano no lugar do Brasil em dezembro de 2025. Lula, porém, gostaria de ter protagonismo na conclusão do acordo.
Lula recebeu nesta 6ª feira um telefonema do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em mais uma rodada de contatos internacionais conduzidos pelo Planalto. Os líderes saudaram a aprovação do acordo Mercosul-UE pelo Conselho Europeu. A conversa teve como pano de fundo o fortalecimento do multilateralismo e o novo cenário geopolítico.
Os líderes também trataram da situação política na Venezuela. Segundo o Planalto, ambos ressaltaram a importância da declaração conjunta divulgada por Brasil, Espanha, Chile, Colômbia, México e Uruguai, que rejeita a divisão do mundo em zonas de influência e o uso da força nas relações internacionais sem respaldo da Carta da ONU (Organização das Nações Unidas).
Lula agradeceu o empenho do governo espanhol nas negociações entre Mercosul-UE e afirmou esperar que o acordo gere benefícios concretos para as populações dos 2 blocos. O Planalto diz que o presidente classificou a aprovação como um sinal positivo em defesa de regras comerciais previsíveis e estáveis.
Os líderes saudaram ainda o anúncio da libertação de presos venezuelanos e estrangeiros, entre eles 4 cidadãos espanhóis. A medida foi comunicada na 5ª feira (8.jan) pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, em Caracas.
Durante o telefonema, Lula confirmou o envio, nesta 6ª feira (9.jan.2026), de 40 toneladas de insumos e medicamentos de hemodiálise para recompor os estoques de um centro de distribuição atingido pelos bombardeios norte-americanos realizados em 3 de janeiro.
Os presidentes concordaram em organizar, nos próximos meses, na Espanha, uma nova edição do foro “Em Defesa da Democracia – Combatendo os Extremismos”. O encontro dará continuidade às reuniões realizadas anteriormente em Santiago e em Nova York.
Um dia antes do telefonema a Sánchez, Lula intensificou articulações diplomáticas sobre a situação na Venezuela. O presidente conversou também com líderes da Colômbia, México e Canadá.
Nas conversas, o Planalto reiterou preocupação com o uso da força na região e defendeu uma solução pacífica, negociada e alinhada ao direito internacional.
O governo brasileiro tem buscado se posicionar como articulador do diálogo regional e defensor da cooperação entre países. Evita discursos de confronto e aposta na integração econômica e política como eixo da política externa.

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