Decisão avança no Parlamento, mas ainda pode ser contestada no Judiciário europeu, afirma Antonio da LuzDecisão avança no Parlamento, mas ainda pode ser contestada no Judiciário europeu, afirma Antonio da Luz

Acordo UE-Mercosul ainda pode ser judicializado, diz economista

2026/01/10 05:05
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Mesmo com a aprovação do acordo de comércio entre a União Europeia e o Mercosul pela maioria no Parlamento europeu, ainda haverá a possibilidade de os parlamentares contra o pacto levarem a decisão para o Judiciário europeu, afirmou o economista-chefe da Securitizadora Ecoagro, Antonio da Luz, ao Poder360

“De um total de pouco mais de 700 parlamentares europeus, cerca de 150 já declararam que pretendem judicializar o processo caso a União Europeia siga adiante com o acordo Mercosul-União Europeia. Isso significa que o tema pode acabar sendo discutido no Judiciário europeu, o que adiciona um grau de incerteza ao processo”, disse. 

O economista afirma que a sinalização positiva que o acordo recebeu nesta 6ª feira (9.jan.2026) deve ser celebrado, mas que ainda há a necessidade de cautela porque existem “novos capítulos” que o Brasil e o Mercosul precisarão resolver. 

“É correto comemorar o avanço representado pela aprovação na Comissão Europeia e manter uma expectativa positiva em relação à assinatura, que deve ocorrer em breve. Ainda assim, a comemoração precisa ser feita com cautela, porque o processo pode apresentar novos capítulos”, afirmou. 

Segundo ele, a União Europeia não deverá interromper as medidas protecionistas contra o Brasil com base em argumentos ambientais. 

A União Europeia passou a adotar salvaguardas contra o Mercosul, com o anúncio de medidas específicas para produtos como carnes, aves, arroz, mel, ovos e etanol, que estabelecem tetos de importação com isenção tarifária para países latino-americanos.

CENÁRIO FAVORÁVEL

Após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia e o Mercosul chegaram a uma conclusão provisória do acordo de livre comércio entre os blocos. O entendimento ainda não entrou em vigor e depende de etapas formais, como a confirmação do voto dos países-membros da UE, a assinatura oficial pela Comissão Europeia e a posterior aprovação do Parlamento Europeu.

O acordo é considerado estratégico por lideranças europeias favoráveis à iniciativa. Para esses governos e setores empresariais, o tratado amplia o acesso a mercados, reduz tarifas e fortalece a posição da União Europeia no comércio internacional, em um contexto de reorganização da ordem global e de busca por novos parceiros econômicos.

Entre os principais benefícios citados estão a redução significativa das tarifas aplicadas a produtos industriais europeus, especialmente automóveis –atualmente taxados em até 35% nos países do Mercosul–, além da diminuição de barreiras técnicas e do reforço das cadeias de abastecimento de matérias-primas. 

Apesar do apoio majoritário, o acordo enfrenta resistência de alguns Estados-membros da UE, como França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda. Esses países manifestam preocupação com os impactos do tratado sobre o setor agrícola europeu, especialmente diante da concorrência com produtos agropecuários do Mercosul, e defendem a adoção de mecanismos de proteção e compensação aos produtores locais.

Autoridades polonesas, por exemplo, afirmam que o Parlamento do país já discute medidas legais para proteger os agricultores nacionais e mitigar eventuais prejuízos decorrentes da abertura comercial. Para esses governos, o acordo pode gerar desequilíbrios setoriais se não vier acompanhado de salvaguardas adequadas.

Se confirmado o apoio mínimo exigido –de ao menos 15 países que representem 65% da população da União Europeia–, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá formalizar a assinatura do acordo com os países do Mercosul. Mesmo assim, a entrada em vigor dependerá do aval do Parlamento Europeu, etapa que pode concentrar novos embates políticos.


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