Vitalik Buterin afirmou que as stablecoins descentralizadas ainda enfrentam desafios críticos.
Segundo ele, falhas estruturais impedem sustentabilidade de longo prazo e verdadeira descentralização.
O cofundador do Ethereum detalhou três pontos que seguem sem solução prática, além disso, ele defendeu mudanças conceituais profundas no setor. O primeiro problema envolve o índice de referência.
Para Buterin, o dólar funciona no curto prazo, entretanto, não garante resiliência no longo prazo.
Por isso, ele defende stablecoins independentes do dólar. Segundo Buterin, essa mudança fortalece a soberania financeira dos protocolos.
O segundo desafio está nos oráculos de preço, eles precisam ser descentralizados e resistentes à captura financeira, caso contrário, o custo para manipulá-los força extração excessiva de valor dos usuários.
O terceiro ponto envolve o staking, stablecoins descentralizadas competem diretamente com rendimentos oferecidos por staking.
Historicamente, soluções tentaram atrair usuários com juros altos, o caso da TerraUSD é o exemplo mais conhecido. O protocolo oferecia quase 20% ao ano, mas colapsou em 2022, gerando perdas de US$ 40 bilhões.
Buterin citou possíveis caminhos, entre eles, reduzir o rendimento do staking para cerca de 0,2%, entretanto, ele ressaltou que essas ideias não são recomendações, apenas exploração de alternativas.
Apesar das críticas, o mercado de stablecoins segue em expansão, atualmente, supera US$ 291 bilhões em valor total.
A Tether domina com cerca de 56% de participação, a Circle vem logo atrás, já soluções descentralizadas seguem marginais. DAI, USDS e USDe possuem entre 3% e 4% cada.
Projetos alternativos existem, o RAI, por exemplo, não é atrelado a moedas fiduciárias, ainda assim, enfrenta baixa adoção e limitações econômicas.
Enquanto isso, a regulação avança para emissores centralizados. Nos EUA, o GENIUS Act, aprovado em 2025, criou regras claras para stablecoins de pagamento.
Empresas de capital de risco, como a a16z crypto, defendem que stablecoins descentralizadas fiquem fora desse escopo regulatório.
No fim, Buterin reforça sua visão histórica, para ele, o futuro do Ethereum depende de aplicações realmente descentralizadas, mesmo que isso signifique nadar contra a maré do mercado.
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