A atriz Rhea Seahorn em cena de "Pluribus" Divulgação A cena mais engraçada de “Pluribus”, série premiada da Apple TV, acontece no quarto episódio da prime A atriz Rhea Seahorn em cena de "Pluribus" Divulgação A cena mais engraçada de “Pluribus”, série premiada da Apple TV, acontece no quarto episódio da prime

O que a série de ficção científica “Pluribus” revela sobre a economia mundial

2026/01/14 06:58
A atriz Rhea Seahorn em cena de "Pluribus" — Foto: Divulgação A atriz Rhea Seahorn em cena de "Pluribus" — Foto: Divulgação

A cena mais engraçada de “Pluribus”, série premiada da Apple TV, acontece no quarto episódio da primeira temporada, quando a protagonista, Carol Sturka (interepretada por Rhea Seehorn, vencedora do Globo de Ouro no último domingo,12) descobre que o resto da humanidade não consegue mais mentir.

Carol começa a série como uma escritora de romances de fantasia romântica, esgotada e alcoólatra, que alcançou sucesso de vendas, relata a The Economist. As coisas mudam quando um vírus alienígena chega, fundindo as mentes das pessoas em uma misteriosa consciência coletiva. Carol é uma das apenas 13 pessoas que permanecem imunes.

Os membros dessa consciência coletiva compartilham pensamentos, memórias e sentimentos com a mesma facilidade com que respiram. Eles não conseguem enganar uns aos outros e parecem relutantes em mentir para Carol também. Isso dá à nossa heroína uma oportunidade incomum. O que você pergunta a uma pessoa onisciente que precisa dizer a verdade? Ora, você pergunta a sua esposa realmente achou do seu livro, é claro.

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A segunda cena mais engraçada acontece no episódio 3. Os membros da mente coletiva estão ansiosos para fazer tudo ao seu alcance para agradar Carol (e os outros 12 como ela). Alguns dos não-assimilados respondem a essa oferta com mais entusiasmo do que outros. Um deles se instala em um cassino cercado por mulheres bajuladoras e homens que perdem para ele no pôquer. Carol é mais difícil de agradar. Ela se ressente de ser servida.

Mas, quando tenta ir ao supermercado, fica chateada ao descobrir que seu supermercado de produtos orgânicos, o Sprouts, está vazio e abandonado. "Sou uma pessoa muito independente... me viro sozinha", diz ela. "Só quero meu Sprouts de volta."

Seu desejo se torna uma ordem coletiva. Imagine uma elaborada coreografia logística para reabastecer completamente um supermercado americano de luxo. Oito caminhões param em formação cerrada do lado de fora; ondas sucessivas de repositores, uniformemente espaçados, trazem caixas de produtos frescos; as luzes se acendem e a música começa a ecoar pelo prédio vazio — tudo para que Carol possa “se virar sozinha”.

A cena destaca a complexidade oculta da vida econômica cotidiana. Também deixa claro que pessoas “muito independentes” dependem irremediavelmente de uma coreografia econômica que mal compreendem.

Além de abandonar os supermercados, os membros da consciência coletiva dispensam muitos outros bens, serviços e instituições. As pessoas não precisam comprovar suas identidades nem firmar contratos. Não há necessidade de privacidade ou de seu oposto, a autoexpressão. Elas vestem as mesmas roupas que tinham quando se juntaram ao grupo. E, na cidade natal de Carol, as pessoas dormem lado a lado em arenas, shoppings e igrejas, para economizar energia elétrica.

Também não há necessidade de propriedade privada ou dinheiro para motivá-los. Eles parecem seguir a máxima de Marx: de cada um segundo suas habilidades, a cada um segundo suas necessidades. Capazes de ler a mente uns dos outros, trabalham em perfeita sintonia. Quando um deles entrega o capacete da moto, no meio da pedalada, para outro antes de partir, eles sequer se cumprimentam, assim como sua mão esquerda não reconheceria receber algo da direita.

Os defensores do planejamento central outrora esperavam que os computadores permitissem às economias se aproximar do harmonioso modelo dos "Pluribus". Esse sonho foi reavivado pela inteligência artificial, que não consegue ler a mente das pessoas, mas poderia, em princípio, ler tudo o que elas já escreveram e espionar suas conversas.

Mas economistas como Don Lavoie, da Universidade George Mason, acreditavam que o planejamento central sempre teria duas falhas. Ele jamais conseguiria aproveitar o conhecimento tácito: os hábitos e instintos que gestores e inovadores nem sempre conseguem expressar em palavras. Tampouco se beneficiaria do conflito entre empreendedores, cada um com sua própria visão de sucesso e seus próprios interesses em jogo.

O vírus alienígena em “Pluribus” resolve o primeiro desses dois problemas. Os seres unidos compartilham muito mais entre si do que conseguem articular. Em uma cena, Carol joga croqué com um membro da coletividade amigável, uma mulher chamada Zosia. Embora nunca tenha jogado antes, Zosia agora possui a experiência combinada de todos os campeões vivos. Em outra cena, uma ex-garçonete do TGI Friday’s, ainda de uniforme, pilota um jato de passageiros com maestria.

O que os membros da coletividade não conseguem replicar é a verdadeira competitividade. Sua ausência poupa a economia do desperdício, da redundância e da insensatez. Mas também limita o escopo do progresso. Por mais sabedoria que possuam coletivamente, os Unidos também precisarão aprender com a tentativa e o erro.

Embora presumivelmente possam conduzir experimentos para testar estratégias econômicas alternativas, nenhum deles consegue seguir uma estratégia com o tipo de convicção míope e excêntrica que caracteriza a maioria dos empreendedores de sucesso. A economia muitas vezes progride por meio de raras e bem-sucedidas tentativas de desafiar a sabedoria coletiva. E para desafiar a sabedoria coletiva, ajuda ser imune a ela.

“Pluribus” oferece, portanto, um prisma interessante através do qual podemos observar a economia. E ele não está muito distante do que se pode encontrar em um livro didático. Afinal, a maioria dos modelos macroeconômicos se baseia na ideia de um “agente representativo”, modelando toda uma população como se ela agisse como tal. “Continuamos a tratar os agregados econômicos como se correspondessem a indivíduos econômicos”, lamentou certa vez Alan Kirman, da Universidade de Aix-Marselha. Em muitos modelos da economia, a população é tratada como se tivesse se unido em uma consciência coletiva.

Essa suposição permite que os economistas se concentrem em outras coisas. Também facilita o manuseio de suas equações. Introduzir heterogeneidade resultaria em modelos desajeitados e confusos, embora mais próximos da realidade.

Como Carol descobre, a vida parece mais fácil quando se aceita a coletividade. Mas essa satisfação é ilusória. Os Unidos não estão dispostos a deixá-la continuar sendo ela mesma. Se ela não quiser se cegar para essa verdade, terá que encontrar uma maneira de transformar os assimilados em indivíduos de novo. Você não pode vencê-los a menos que consiga fazer essa separação. O indivíduo, com sua personalidade única, é a chave da resolução dos problemas.

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