inteligência artificial; ai; modelo de ia; llm — Foto: Surasak Suwanmake/Getty Images
Os líderes empresariais ainda estão otimistas em relação à inteligência artificial três anos após o lançamento do ChatGPT e com preocupações de se estaríamos vivendo uma bolha de IA? Segundo a edição deste ano da Pesquisa Anual de Benchmark Executivo em Liderança de IA e Dados, a resposta é sim.
Em um artigo publicado no Harvard Business Review, Randy Bean, consultor, palestrante e líder no campo de dados e IA, e Thomas Davenport, professor de Tecnologia da Informação e Gestão, ambos autores da pesquisa, afirmam que praticamente todos os líderes de dados e IA que participaram do levantamento acreditam que essa tecnologia é uma prioridade elevada para suas organizações, planejam aumentar os investimentos e confirmam que suas empresas já estão obtendo valor mensurável para os negócios a partir desses investimentos.
Mais de 100 executivos seniores de IA e dados, de empresas da Fortune 1000 e marcas globais líderes, participaram da pesquisa anual por convite. Noventa e seis por cento dos respondentes se identificaram como executivos C-level ou equivalentes, sendo que 90% ocupam cargos como Chief Data Officer (CDO), Chief Data & Analytics Officer (CDAO), Chief AI Officer (CAIO) ou Head Global/Corporativo de Dados e IA.
Apesar de as perspectivas positivas desses líderes – já que o que se tem visto é alta nos preços das ações de empresas, um boom na construção de data centers e iniciativas para transformar organizações com base nas capacidades da IA –, a pesquisa também revelou problemas persistentes relacionados à mudança organizacional e à prontidão humana e estrutural para dar os próximos passos.
Segundo os autores, as organizações precisarão enfrentar esses desafios nos próximos anos se quiserem alcançar sucesso de longo prazo com a IA.
Os autores apontaram que praticamente todos os líderes de dados e IA relataram que suas empresas planejam continuar investindo nesta nova tecnologia.
Houve aumento do número de organizações que veem a IA responsável como um componente essencial de seus planos de IA: 79% a consideram uma prioridade corporativa máxima, acima dos 69% do ano passado.
O levantamento aponta ainda que a proporção de empresas que afirmam ter IA em produção em larga escala aumentou de 5% para 39% em apenas dois anos. Já aquelas que implementaram IA em produção limitada cresceram de 24% para 54% no mesmo período. Além disso, 94% afirmam já ter superado a fase de pura experimentação, contra 29% de dois anos atrás.
Outro dado relevante é que 54% das empresas também relatam que estão obtendo alto ou significativo valor de negócio a partir de seus investimentos em dados e IA, contra 47% no ano passado. O percentual das que relataram pouco ou nenhum valor caiu de 19% para apenas 8%.
As empresas também indicaram que mudanças estruturais estão em andamento, sinalizando que a inteligência artificial está se tornando central para a estratégia corporativa.
Isso pode ser visto na vontade em determinar líderes para gerir dados e IA. Noventa porcento das empresas afirma ter nomeado um CDO, o maior percentual já registrado em 15 edições da pesquisa, um aumento de 6% em relação ao ano passado, quando 84% já haviam feito essa nomeação. A pesquisa aponta ainda que 38% das empresas relatam ter nomeado um Chief AI Officer (CAIO), e 52% dos respondentes afirmam que suas organizações precisam de um CAIO ou de um líder equivalente em IA.
Por ser tudo relativamente novo, esse aspecto das nomeações de novas funções enfrenta uma indefinição, que é a relação hierárquica de quem gerencia essa tecnologia. No caso das 38% das empresas que nomearam um Chief AI Officer (CAIO), esse cargo deve reportar a quem dentro da organização? Os autores defendem que CAIO deveria reportar ao CDO ou se fundir a essa função, mas essa opção de estrutura aparece em apenas 30% das respostas. Em outras organizações, a IA responde à liderança de negócios (27%), à liderança de tecnologia (34%) ou à liderança de transformação (9%).
“Provavelmente, o fato de diferentes áreas quererem controlar a IA é um sinal de sua popularidade”, dizem os autores. Eles afirmam, porém, que não estão convencidos de que essa falta de consenso seja positiva para as organizações. “A confusão sobre onde reside a responsabilidade pela IA pode estar contribuindo para a percepção generalizada, entre a mídia e investidores, de que a IA não está gerando valor suficiente.”
As pessoas não avançam na mesma velocidade de tecnologias como a IA. Essa desconexão é um dos principais problemas enfrentados pelas empresas que tentam adotar a inteligência artificial. Neste ano, 93% dos participantes do levantamento apontaram questões humanas — como cultura e gestão da mudança — como o principal desafio para a adoção de dados e IA, o maior percentual já registrado na pesquisa.
O medo da perda de empregos está crescendo rapidamente, assim como a escassez de recursos para capacitação e requalificação dos funcionários para o uso da IA. “Suspeitamos que esses serão os maiores desafios enfrentados por empregados e empregadores nos próximos anos, podendo representar um obstáculo significativo à adoção ampla e eficaz da IA”, dizem.
Apesar dos desafios, 83% dos respondentes acreditam que a IA tem grande probabilidade de se tornar a tecnologia mais transformadora de uma geração. Há um forte otimismo tecnológico, com 97% desses executivos afirmando acreditar que, no longo prazo, o impacto geral da IA será positivo.
“Esse otimismo sugere que aqueles que impulsionam os investimentos em IA são tão positivos quanto os CEOs das empresas fornecedoras que a vendem. Se as empresas continuarem investindo e extraindo valor da IA, o potencial de crescimento associado à tecnologia pode ser maior e mais duradouro do que foi o gasto com a internet durante a bolha do início dos anos 2000”, finalizam.



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