Donald Trump apresenta proposta do Domo de Ouro — Foto: Chris Kleponis/CNP/Bloomberg via Getty Images
Não é de hoje que Trump vem repetindo que os Estados Unidos deveriam “comprar” a Groenlândia por motivos de segurança nacional. E nesta quarta-feira (14), não foi diferente. Em sua rede social, Truth Social, Trump reafirmou que a importância do território dinamarquês autônomo e disse que ele é “vital para o Domo de Ouro que estamos construindo”.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de Segurança Nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A OTAN deveria liderar o caminho para que possamos obtê-la. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer”, escreveu o presidente norte-americano.
Mas, afinal, o que é o Domo de Ouro de Trump?
O Domo de Ouro (Golden Dome, em inglês) é uma proposta defendida por Donald Trump para criar um sistema antimísseis nos Estados Unidos, inspirado no Domo de Ferro de Israel, porém maior e mais complexo.
O projeto foi anunciado em maio do ano passado e é avaliado em US$ 175 bilhões –apesar de diversas estimativas esperarem um custo muito maior. O desenvolvimento está sendo feito pelo Pentágono e, segundo anunciou Trump, na época, ele quer a conclusão até o final de seu mandato, que se encerrará em 2029.
Segundo a Bloomberg, a iniciativa visa criar camadas de sistemas de defesa, da Terra ao espaço, capaz de interceptar mísseis lançados de qualquer lugar do mundo. Ela se baseia em um sistema de satélites interceptores espaciais que rastreariam e destruiriam mísseis em órbita enquanto se dirigem para um alvo na Terra, uma tecnologia que ainda não existe.
Assim, enquanto o Domo de Ferro de Israel foca em mísseis de curto alcance, o Domo de Ouro pretende interceptar mísseis balísticos hipersônicos e intercontinentais ainda no espaço.
“Uma vez totalmente construído, o Domo de Ouro será capaz de interceptar mísseis mesmo que sejam lançados de outros lados do mundo, e até mesmo que sejam lançados do espaço, e teremos o melhor sistema já construído”, disse Trump ao anunciar a proposta.
Analistas afirmam que a Groenlândia pode ser útil aos EUA como base para uma maior presença defensiva e como local para interceptores de mísseis americanos, informou a CNBC.
“Os EUA precisam de acesso ao Ártico, e hoje não têm muito acesso direto. A Groenlândia, por outro lado, oferece uma quantidade enorme. Os EUA precisam de defesas aéreas cada vez mais próximas da Rússia para combater armas de última geração que não são defensáveis com os recursos disponíveis atualmente. A Groenlândia proporciona isso”, disse Clayton Allen, do Eurasia Group, à CNBC.
Dinamarca e Groenlândia são contra a proposta de Trump de transferir o território para o controle dos Estados Unidos.


