O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, renovou seu recorde de fechamento nesta quarta-feira (14) ao atingir os 165.145,98 pontos, em alta de 1,96%. O avanço foi puxado principalmente pelas ações de grandes empresas de commodities, que sustentaram o desempenho positivo do índice ao longo do dia.
A Petrobras, cujos papéis chegaram a subir mais de 5% durante o pregão, esteve entre os destaques. No fechamento, as ações avançavam 3,63% (ON) e 2,73% (PN), após a virada do petróleo no mercado internacional com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interpretadas pelo mercado como uma postura mais moderada em relação ao Irã.
A leitura foi de redução do risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio, o que aliviou a pressão altista sobre os preços da commodity.
Mesmo com esse movimento, o cenário favoreceu uma forte valorização da Vale, ação de maior peso no Ibovespa, que subiu 4,74% e teve papel central no recorde do índice. O setor financeiro também contribuiu. O BTG Pactual (Unit) avançou 2,08%, enquanto o Itaú (PN) registrou alta de 1,10%.
Segundo Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCl Advisors, em entrevista ao Broadcast, o mercado brasileiro também foi impulsionado por recomendações positivas de grandes bancos de investimento, o que reforçou o fluxo comprador na Bolsa.
Entre as maiores altas do dia, além da Vale, destacaram-se Bradespar (+4,32%) e TIM (+4,30%), enquanto na ponta negativa, a MRV liderou as perdas, com queda de 5,34%.
No câmbio, o dólar ganhou força na reta final da sessão e fechou em alta de 0,46% ante o real, cotado a R$ 5,40, em um movimento de correção em meio ao aumento do desconforto geopolítico no cenário internacional.
O mercado global iniciou a sessão desta quinta-feira (15) sob impacto direto da virada do petróleo após sinais de distensão envolvendo o Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizou o tom crítico ao afirmar ter recebido garantias de que o governo iraniano suspenderia execuções ligadas aos protestos recentes. A sinalização de trégua foi suficiente para o petróleo inverter a tendência de alta e registrar perdas de mais de 4% nesta manhã.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi reforçou o discurso de normalização. Em entrevista à Fox News, afirmou que, “após três dias de operações terroristas, agora há calma no país” e que o governo estaria “em pleno controle” da situação, contribuindo para a leitura de menor risco geopolítico imediato.
Na agenda econômica, os investidores acompanham a divulgação do PIB da Alemanha, da produção industrial da Zona do Euro e do índice de atividade Empire State, nos Estados Unidos, indicadores que ajudam a calibrar as expectativas para crescimento e política monetária.
O noticiário corporativo também ganha peso, com a divulgação dos balanços de Goldman Sachs e Morgan Stanley antes da abertura em Nova York, além da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo. Os resultados chegam após decepções recentes com Bank of America, Citi e Wells Fargo na véspera, elevando a cautela em relação ao setor financeiro.
No Brasil, o foco dos indicadores está nas vendas no varejo, que devem mostrar desaceleração, em linha com o cenário de crédito mais restrito e consumo pressionado.
No campo político, a nova pesquisa Quaest mostrou redução da vantagem do presidente Lula em simulações de segundo turno. Lula ainda lidera todos os cenários testados, com 45% contra 38% de Flávio Bolsonaro e 44% contra 39% de Tarcísio de Freitas, mas o mercado reagiu à diminuição da diferença em relação ao levantamento anterior.
Em dezembro, a vantagem sobre Flávio era de dez pontos e agora caiu para sete. Contra Tarcísio, a margem é de cinco pontos.
Na frente fiscal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o PLOA de 2026 com veto a R$ 392,8 milhões em emendas parlamentares, movimento esperado após o Congresso aprovar um volume recorde de R$ 62 bilhões em emendas, quase R$ 12 bilhões acima do valor destinado em 2025.
Apesar do veto, um acordo político prevê o pagamento de ao menos R$ 19 bilhões em emendas antes das eleições presidenciais, até o fim do primeiro semestre.
As Bolsas da Europa operam sem direção única, com a geopolítica no radar. O presidente Donald Trump demonstrou otimismo sobre um possível acordo envolvendo a Groenlândia, apesar de o chanceler dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, afirmar que há um “desacordo fundamental” com Washington.
França, Alemanha, Noruega e Suécia começaram a enviar tropas para a região para exercícios e apoio ao território dinamarquês.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única em meio a acontecimentos locais. Em Tóquio, a Bolsa recuou após a primeira-ministra Sanae Takaichi convocar eleições gerais. Já na Coreia do Sul, o Kospi avançou pela décima sessão seguida e renovou recorde, após o Banco Central manter a taxa de juros inalterada.
O índice Nikkei fechou em queda de 0,44%, enquanto na China Xangai recuou 0,37% e Shenzhen registrou alta de 0,41%.
Em Nova York, os índices futuros operam com viés positivo nesta quinta-feira (15), com investidores atentos aos balanços de grandes instituições financeiras, como Goldman Sachs e Morgan Stanley, além da divulgação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro +0,3%
• FTSE 100 +0,5%
• CAC 40 -0,3%
• Nikkei 225 -0,4%
• Hang Seng -0,3%
• Shanghai SE Comp. -0,3%
• MSCI World +0,1%
• MSCI EM estável
• Bitcoin -0,8% a US$ 96.785,25
Nos EUA, assim como nos mercados globais repercute a possibilidade de adiamento de uma resposta militar ao Irã, reduzindo os temores de uma escalada imediata no conflito e de impactos sobre o fornecimento da commodity.
Os investidores também acompanham de perto os discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed). Pela manhã, falam Austan Goolsbee e Raphael Bostic, às 10h30, seguidos por Michael Barr, às 11h15. À tarde, estão previstos os pronunciamentos de Thomas Barkin, às 14h40, e Jeffrey Schmid, às 15h30.
Na véspera, Trump afirmou que não pretende demitir Jerome Powell, presidente do Fed, apesar da investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça, avaliando que seria “cedo demais” para uma decisão desse tipo.
Ele também indicou que Kevin Warsh e Kevin Hassett estão entre os nomes considerados para suceder Powell, cujo mandato termina em maio.
Outro foco internacional envolve a relação entre Estados Unidos e União Europeia. O Parlamento Europeu passou a discutir a suspensão da implementação do acordo comercial com os EUA, em resposta às ameaças relacionadas à Groenlândia.
No Brasil, os dados de vendas no varejo de novembro concentram as atenções na agenda doméstica. A expectativa é de alta de 0,6% na comparação anual no varejo restrito, enquanto o varejo ampliado deve registrar queda interanual de 0,7%.
No campo político, o presidente Lula sancionou na noite de ontem o Orçamento de 2026, aprovado pelo Congresso, com vetos de cerca de R$ 400 milhões em emendas parlamentares.
Já no sistema financeiro, o Banco Central decretou a liquidação da Reag nesta manhã, em meio a investigações sobre fraudes e irregularidades financeiras.
Segundo o BC, foi constatado grave comprometimento da situação financeira da instituição, além de violações relevantes às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Com a decisão, fundos administrados pela Reag terão de buscar novos gestores e passar por novas avaliações de compliance, ampliando a atenção do mercado para riscos operacionais no setor.
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