O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag DTVM, com base em violações às normas que regem a atuação das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A decisão determinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ocorre após o avanço da 2ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo fundos da gestora e o Banco Master, liquidado em novembro.
A autarquia também comunicou o Ministério Público Federal sobre operações consideradas atípicas, incluindo transações relâmpago realizadas por fundos da Reag a partir de empréstimos do Master.
Segundo a autoridade monetária, a medida foi adotada após a constatação de falhas graves em áreas como gerenciamento de riscos, compliance — conjunto de regras para garantir o cumprimento das normas — e auditoria interna.
A avaliação interna foi de que regimes menos severos, como intervenção, não seriam suficientes para conter os problemas identificados.
O BC entendeu que a continuidade das atividades da gestora poderia gerar indisciplina no sistema financeiro e afetar o funcionamento dos mercados financeiro e de capitais.
Na decisão que determinou a liquidação da CBSF, o Banco Central também comunicou a indisponibilidade de bens de controladores e ex-controladores da gestora, incluindo João Carlos Mansur, um dos alvos da operação da PF.
Galípolo nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. como liquidante, tendo Antonio Pereira de Souza como responsável técnico. Ele já atuou em outros processos do tipo, como na liquidação do Banco Bamerindus.
Além da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o caso também é acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que realizou diligências no Banco Central para analisar os procedimentos adotados na liquidação do Banco Master.
Segundo apuração, o BC reforçou a coleta de documentos e evidências para embasar as decisões tomadas e se preparar para eventuais questionamentos administrativos ou judiciais.
Também nesta quinta-feira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio. Segundo a autarquia, a decisão foi motivada por grave comprometimento da situação econômico-financeira e por violações às normas legais.
O BC informou que esse processo não tem relação com o caso envolvendo a CBSF e o Banco Master.
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