Os Estados Unidos declararam apoio aos “corajosos cidadãos do Irã” durante reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) realizada na 5ª feira (15.jan.2026). O embaixador norte-americano junto ao órgão, Mike Waltz, afirmou que o presidente Donald Trump (Partido Republicano) deixou claro que “todas as opções estão sobre a mesa para deter o massacre” no país.
Segundo Waltz, Trump já ameaçou intervir em apoio aos manifestantes iranianos, após relatos de que milhares de pessoas teriam morrido na repressão aos protestos contra o regime clerical. O embaixador ressaltou, no entanto, que o presidente norte-americano adotou uma postura de cautela, ao dizer que foi informado de uma redução nas mortes e que não haveria, no momento, plano para execuções em larga escala.
A estimativa de mortos no Irã varia por causa do bloqueio de internet pelo governo, que dificulta a circulação de informações pelos iranianos. De acordo com os dados divulgados na 4ª feira (14.jan.2026), os números divergem entre 2.400 e 12.000 mortos, depois do 17º dia de protestos no país.
Ao discursar no Conselho, Waltz disse que Trump “é um homem de ação, não de discursos intermináveis”, e reforçou que a reunião foi solicitada por Washington justamente para tratar da situação no Irã. O diplomata também rejeitou as afirmações do governo iraniano de que os protestos seriam “um complô estrangeiro” com objetivo de preparar uma ação militar. Segundo ele, o regime estaria mais fraco do que nunca e difundiria essa narrativa por medo da mobilização popular nas ruas. As informações são da agência Reuters.
O vice-embaixador do Irã na ONU, Gholamhossein Darzi, afirmou que Teerã não busca escalada nem confronto. Ele acusou Waltz de recorrer a “mentiras, distorção de fatos e desinformação deliberada” para ocultar o que chamou de envolvimento direto dos Estados Unidos na condução de distúrbios violentos no país. Darzi advertiu que qualquer ato de agressão, direta ou indireta, receberá resposta “decisiva, proporcional e legal”, frisando que se trata de uma constatação jurídica, não de ameaça.
A Rússia também criticou a iniciativa norte-americana. O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que os Estados Unidos convocaram o Conselho de Segurança para justificar “agressão flagrante e interferência nos assuntos internos de um Estado soberano”, além de ameaças de resolver a questão iraniana por meio de ataques destinados a derrubar o governo. Ele pediu que autoridades em Washington e em outras capitais “voltem à razão”.
Em nome do secretário-geral da ONU, António Guterres, a alta funcionária Martha Pobee defendeu “máxima contenção” neste momento sensível e apelou para que todos os atores evitem ações que possam provocar mais mortes ou ampliar a escalada regional.
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):

