Brasil aparece como principal aposta do BBI para a América Latina em 2026
O início de 2026 reforçou uma mudança relevante no cenário global de investimentos. Segundo análise do Bradesco BBI, os mercados da América Latina seguem em bull market e ainda apresentam espaço para valorização ao longo do ano. Dentro desse contexto, o Brasil desponta como o principal “top pick” da região, apoiado por fatores domésticos, ciclo de juros e opcionalidade política .
Mesmo após uma largada forte do MSCI América Latina, que acumula alta de 5,9% no início do ano, o banco avalia que o movimento estrutural permanece intacto. A leitura é de que os vetores locais ganham protagonismo frente ao cenário externo, criando oportunidades assimétricas para investidores.
O BBI destaca que, diferentemente de 2025, os fatores domésticos passaram a ter peso central na performance dos ativos latino-americanos em 2026. O cenário regional é sustentado por um tripé claro:
Nesse ambiente, a recuperação dos lucros corporativos tende a ganhar importância crescente, complementando ganhos de valuation e movimentos positivos de câmbio .
O relatório reitera recomendação overweight para ações da América Latina, com preferência clara pelo Brasil. A avaliação do banco se apoia em três pilares principais:
O início do ciclo de cortes de juros no Brasil é visto como um catalisador relevante para ativos locais. O BBI projeta reduções acumuladas próximas de 300 pontos-base ao longo de 2026, o que tende a favorecer tanto o crescimento econômico quanto os resultados das empresas listadas.
A antecipação do ciclo eleitoral brasileiro adiciona volatilidade no curto prazo, mas também cria opcionalidade positiva. Movimentos no cenário político podem destravar prêmios de risco atualmente embutidos nos preços dos ativos.
Mesmo após a recente valorização do real, o BBI avalia que a moeda ainda não se realinhou totalmente aos pares emergentes. Historicamente, o câmbio responde por cerca de metade do retorno das ações latino-americanas em moeda forte, o que reforça o potencial do mercado brasileiro .
Uma das principais tendências observadas no começo do ano é a aceleração da rotação global para mercados emergentes, impulsionada por um forte “efeito janeiro”. Fundos de índices (ETFs) de emergentes baseados nos EUA receberam cerca de US$ 4 bilhões em apenas uma semana, o equivalente a quase 1% dos ativos sob gestão.
O BBI avalia esse fluxo como sustentável, uma vez que os emergentes ainda apresentam alocações historicamente baixas em portfólios globais, abaixo do peso neutro no MSCI.
A rotação setorial também favorece materiais e energia. Metais industriais acompanham o rali dos metais preciosos, enquanto o setor de energia se recupera após ter sido o pior desempenho de 2025. Em contrapartida, setores que lideraram no ano anterior, como utilities e saúde, apresentam desempenho relativo inferior em 2026 .
Além do Brasil, o BBI aponta nuances importantes em outros mercados:
As moedas da região dominam o ranking global de desempenho no início do ano. Real, peso chileno, peso colombiano e peso mexicano figuram entre os melhores resultados, sustentados por termos de troca favoráveis, rotação de portfólio e carregamento ainda atrativo.
Segundo o BBI, a maior convicção cambial está no peso chileno e no real brasileiro, enquanto o peso mexicano exige maior cautela diante de incertezas no comércio e na recuperação cíclica .
O relatório do Bradesco BBI reforça que 2026 começa com fundamentos construtivos para a América Latina, com o Brasil ocupando posição central nas estratégias de alocação. A combinação de ciclo de juros, opcionalidade política, valuation e câmbio cria um ambiente propício para ativos brasileiros, mesmo após a forte largada do ano.
Para investidores atentos ao cenário global, o Brasil segue como uma das principais apostas relativas entre os emergentes.


