Mauro e Diego Landi, líderes na Ambar Tech — Foto: Divulgação/Ambar Tech
O setor de construção nos Estados Unidos apresenta diferenças marcantes em relação ao Brasil. Além de ser altamente fragmentado, com diversos prestadores de serviços, as obras exigem a obtenção de permissões e alvarás específicos para diferentes etapas do projeto, seguidas por inspeções obrigatórias antes de avançar para as fases seguintes.
Enquanto no Brasil uma construtora ou empreiteira pode assumir quase todas as etapas da obra, nos EUA ganha protagonismo a figura do general contractor, que atua de forma semelhante à de um gestor responsável por coordenar esses diversos prestadores de serviços. Essa falta de integração entre os profissionais, porém, pode ocasionar atrasos nas obras.
Foi para simplificar esse cenário desafiador que surgiu a Ambar Tech. Criada pelos empreendedores brasileiros Mauro e Diego Landi, pai e filho, a startup integra planejamento e execução de quatro frentes críticas para a edificação de um projeto: parte elétrica, parte hidráulica, ar-condicionado e construção de paredes internas. Assim, o general contractor tem na Ambar Tech um único ponto de contato para a coordenação dessas etapas da obra.
A proposta de unir diversas frentes de serviço e desenvolver componentes modulares inovadores permite entregar obras até 30% mais rápidas, com redução de até 50% da mão de obra na etapa de instalações.
A história da Ambar Tech começa antes mesmo de sua fundação nos Estados Unidos. Mauro Landi já atuava no setor de construção no Brasil como sócio e diretor da Polar, empresa do grupo Ambar, com foco em industrialização e gestão de processos. O convite para entrar no mercado americano veio de um grupo de construtoras da Flórida interessadas em adotar sistemas construtivos mais produtivos, inspirados em modelos usados em programas habitacionais populares do Brasil, como o Minha Casa, Minha Vida.
“A origem foi um convite para que a gente pudesse participar e contribuir com o processo de inovação dos sistemas construtivos aqui nos Estados Unidos. A gente encontrou um modelo de integração de disciplinas de instalação e que acabou se confirmando com um modelo único e um modelo muito atrativo para o mercado”, diz Mauro Landi, presidente da Ambar Tech nos EUA.
O processo de construção de uma casa ou apartamento depende do piso, das paredes, do telhado e das divisórias internas, que precisam receber ainda pontos elétricos, interruptores, tomadas, pontos de iluminação e de água, por exemplo. “Traduzindo isso para o que a gente faz: a partir do momento em que piso, paredes e teto estão concluídos, a gente faz toda parte das divisórias internas do apartamento em estruturas metálicas, e essas divisórias internas já carregam todos os pontos de instalação elétrico, hidráulico e, aqui nos Estados Unidos, de ar-condicionado”, afirma Mauro.
Para se ter uma ideia, em um apartamento do Minha Casa, Minha Vida, são necessários 25 pontos elétricos. Nos Estados Unidos, esse número pode chegar a 75, devido às exigências do país e ao padrão de consumo.
“Então, o que a gente faz é, a partir do momento em que a casca da casa ou do apartamento –o que a gente chama de shell-- está pronta, a gente entra com um sistema construtivo que garante a instalação de todas as divisórias internas e de todos os pontos de eletricidade, iluminação e ar-condicionado com maior velocidade e maior qualidade.”
Apesar da popularidade da madeira em algumas partes do mercado de construção norte-americano, a Ambar Tech usa para as divisórias internas a placa de metal ou steel frame, que, segundo Mauro, é mais robusta, mais resistente, durável, não tem problema de apodrecimento e cupim, além de ser muito mais leve que a madeira, facilitando o transporte.
Ambar Tech — Foto: Arte/EN
Mas para que essas estruturas cheguem às obras corretamente, há um processo extenso de planejamento. Por meio de uma metodologia e base de dados própria, chamada Virtual Design and Construction (VDC), a empresa gera planos detalhados de pré-construção. Segundo Mauro, eles recebem os documentos com os planos da obra, inclusive os detalhes das partes elétricas, mecânicas e de encanamento, integram todos esses documentos e constroem um modelo 3D, através de um software, fazendo os ajustes necessários para cada empreendimento. Para fazer checagens, eles usam inteligência artificial, assim como para identificar oportunidades de otimização.
Diego Landi, diretor de projetos, tem graduação e mestrado em Engenharia Elétrica na Florida International University e foi o responsável por começar a implementar a IA e o machine learning na empresa. “Apoiei bastante nesse sentido de começar a implementar a AI e o machine learning para automatizar esses processos de leitura de planos, identificação de pontos críticos e possíveis otimizações que a gente pode ter”.
Além disso, a Ambar Tech é atua também nas instalações enterradas (underground), sistemas de esgoto, drenagem e elétrica, passando pela etapa vertical da obra, e chegando até os acabamentos – o que facilita a vida do general contractor, que vê planos de engenharia e fabricação de componentes antecipados, tem menos desafios de coordenação com prestadores de serviços e mais previsibilidade da construção.
Segundo Diego, o processo inclui um intenso trabalho de comunicação, coordenação e treinamento. “Uma parte que é importante é a comunicação com os contratistas e essa coordenação para implementar essa inovação no sistema. Se não, o processo volta no mesmo, ele vai fazer a mesma coisa que ele está acostumado a fazer”, afirma.
Sediada na Flórida, em Miami, a startup fez seu primeiro projeto no começo de 2022, com 36 apartamentos em um prédio de três pavimentos. Naquele ano, a empresa acumulou um faturamento de US$ 1,2 milhão. Firmando ainda mais parcerias na região, seu faturamento chegou a US$ 10,3 milhões em 2024 e US$ 14 milhões no ano passado, com 400 unidades entregues. Para este ano, já são 600 unidades contratadas e uma expectativa de faturamento de US$ 32 milhões.
Com cerca de 60 funcionários diretos, a Ambar Tech segue concentrada na Flórida, mas está expandindo os negócios para área de hotéis. Além disso, há planos de, em um horizonte de dois anos, avançar para outros estados, como Texas, onde já há projetos em estudo.
Banner da série Startups Fora de Série — Foto: Clayton Rodrigues


