Presidente do Paraguai elogia liderança do petista nas negociações do tratado entre a União Europeia e o MercosulPresidente do Paraguai elogia liderança do petista nas negociações do tratado entre a União Europeia e o Mercosul

Peña diz que ausência de Lula em assinatura de acordo foi agridoce

2026/01/20 19:27

O presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), disse que a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na assinatura do acordo entre o Mercosul e a UE (União Europeia), no sábado (17.jan.2026), deixou um “sentimento misto” e “agridoce”. O petista não compareceu ao evento e foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

“Temos gratidão e satisfação com o trabalho feito pelo presidente Lula. Fiz um reconhecimento público a ele, porque delegamos ao Brasil a liderança da negociação”, declarou em entrevista à CNN Brasil na 2ª feira (19.jan).

Lula queria que o acordo fosse assinado até dezembro, quando o Brasil estava na presidência rotativa do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, frustrou os planos do presidente brasileiro e disse que não seria possível assinar o acordo antes de janeiro.

O adiamento se deu depois que a Itália mudou sua posição e se uniu à França na oposição ao tratado. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni (Irmãos da Itália, direita), disse em dezembro que achava “prematuro” assinar o acordo imediatamente. Afirmou que ser necessário aperfeiçoar as medidas de proteção aos agricultores europeus. 

Com os 2 países se recusando a assinar, o acordo se tornaria inviável, já que as nações que discordam não podem representar mais de 35% da população da UE.

A UE acenou no início de janeiro com a antecipação do acesso a fundos agrícolas a partir de 2028. Meloni, então aceitou o acordo.

“Todos colaboramos para que isso seja feito [a assinatura do acordo], mas reconhecemos a liderança do presidente Lula, falando com Ursula von der Leyen, com [o presidente da França,] Emmanuel Macron, com Giorgia Meloni”, disse Peña.

Ele afirmou que gostaria que todos os presidentes” estivessem no Paraguai para a assinatura do tratado, “mas Lula pensou que a assinatura pelo chanceler era suficiente”. Essa atitude, segundo Peña, deixou uma sensação “um pouco agridoce”. Ele disse: “Eu enviei uma carta para ele convidando, mas eu compreendo que a agenda dele é muito complicada”.

Apesar de elogiar o acordo, ele disse que o Mercosul precisa ser mais ambicioso.

“Temos que trabalhar mais. O mundo está mudando, a geopolítica está mudando. O poder da nossa região em produção de alimentos, transição energética, população jovem é uma oportunidade única. Nenhuma outra região tem as oportunidades que temos. Temos que ser honestos, mesmo com diferenças que os países podem ter, temos que avançar. Não temos que mirar para a direita ou para a esquerda, mas para frente”, declarou.


Leia mais: 

  • Análise | Meloni tira acordo de Lula e passa para Peña, do Paraguai
  • Peña diz que acordo UE–Mercosul coloca o bloco “no mapa”
  • Acordo UE-Mercosul deve ter rápida aprovação no Congresso

MADURO

Peña falou sobre a ação dos Estados Unidos na Venezuela em 3 de janeiro, que capturou Nicolás Maduro (PSUV, esquerda). Segundo o presidente do Paraguai, a saída do venezuelano da Presidência era “necessária”.

Ele declarou que a investida norte-americana não era a melhor solução, mas que não vê outra alternativa possível, uma vez que “um ditador não sai do poder apenas porque há pessoas nas ruas” protestando.

A saída de Nicolás Maduro era necessária. Quando comecei meu mandato tomei a decisão de colaborar com o Acordo de Barbados, um reforço de muitos países para que a Venezuela tivesse uma eleição transparente, aberta. Isso não aconteceu”, disse.

Peña afirmou que a relação da Venezuela com os países da região foi dificultada pelo fato de Maduro se recusar a reconhecer a vitória de Edmundo González nas eleições de 2024.

“Agora, vamos ficar parados na discussão sobre se foi correto ou não a incursão ou vamos trabalhar para restituir a democracia na Venezuela? O Paraguai quer trabalhar para restituir. É necessário liberar os presos políticos e deixar os venezuelanos retornarem ao país”, declarou.

Segundo ele, é preciso que o governo interino da Venezuela tenha um “plano crível” de quando o país pode ter eleições. Peña afirmou que não cabe a ele ou ao presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), decidir quem governará a nação sul-americana, mas aos venezuelanos.

Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail service@support.mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.