As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes encerraram 2025 em patamar recorde, ao somar US$ 1,79 bilhão, valor que representa crescimento de 1,91% em relação ao ano anterior.
Com o resultado, o Brasil consolida o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco, reforçando a relevância do mercado árabe para a indústria frigorífica brasileira.
Segundo levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que monitora o intercâmbio comercial com 22 países da região, o desempenho foi sustentado pela expansão das vendas em mercados tradicionais, como Egito e Arábia Saudita, e pelo avanço consistente em destinos que passaram a ganhar espaço na pauta exportadora, caso da Argélia.
O movimento ocorre em um contexto de reorganização das cadeias globais de suprimentos e de intensificação da demanda por alimentos, fatores que influenciaram decisões de compra e ampliaram o fluxo comercial da proteína bovina brasileira para o Oriente Médio e o Norte da África.
Na avaliação da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o resultado das exportações em 2025 é atribuído tanto à atuação mais intensa dos frigoríficos brasileiros quanto à decisão dos países árabes de reforçar estoques de alimentos. A estratégia visa reduzir riscos de desabastecimento diante da desorganização das cadeias globais de suprimentos.
Isso ocorre enquanto medida preventiva diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a diferentes fornecedores, incluindo o Brasil, que atualmente responde por cerca de metade dos alimentos importados pelos países árabes.
“Os árabes intensificaram as aquisições, e o Brasil foi particularmente beneficiado na carne bovina porque tinha maior disponibilidade do produto. O reforço dos estoques, no entanto, limitou o espaço para outros alimentos e produziu um recuo no total das exportações. Mesmo assim, o resultado foi muito positivo. Tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial. Os árabes seguem extremamente relevantes para os exportadores”, afirma Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
As vendas de carne bovina cresceram de forma relevante no Egito, que importou US$ 375,35 milhões do produto em 2025, volume equivalente a um aumento de 24,53%.
A Arábia Saudita aparece na sequência, com compras de US$ 333,10 milhões, crescimento de 29,90%. Os dois países permaneceram como os maiores compradores da proteína brasileira no bloco árabe.
Além dos mercados tradicionais, a indústria frigorífica brasileira ampliou sua presença em frentes mais recentes. A Argélia vem intensificando as compras desde 2024 e, em 2025, elevou as aquisições em 40,56%, gerando receitas de US$ 286,58 milhões.
Considerando toda a pauta exportadora, as vendas brasileiras para os países árabes recuaram 9,81% em 2025, totalizando US$ 21,34 bilhões. Em 2024, as exportações aumentaram 22% em relação a 2023.
Além da formação de estoques, a retração de 2025 é atribuída à desvalorização das commodities e ao foco de gripe aviária registrado no Rio Grande do Sul no primeiro trimestre do ano, que impactou as exportações de frango. Ainda assim, todos os produtos continuaram sendo adquiridos em volumes expressivos.
A pauta exportadora brasileira para os países árabes em 2025 foi liderada por:
Os principais parceiros comerciais do Brasil na região foram:
As exportações do agronegócio brasileiro para os países árabes recuaram 11,19% no ano passado, para US$ 15,91 bilhões. Apesar da queda, o setor respondeu por 72,51% de tudo o que o Brasil exportou para a região.
Entre os principais destinos dos produtos agropecuários aparecem Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Iraque.
Os dados mostram crescimento relevante nas vendas de insumos utilizados na produção de proteínas animais, área que vem recebendo incentivos locais nos países árabes.
As exportações de gado vivo para abate avançaram 18,10% em 2025, alcançando US$ 695,09 milhões. Já o milho destinado à alimentação de aves subiu 24,93%, totalizando US$ 3,07 bilhões.
Mesmo com os incentivos à produção local, a proteína brasileira continuou encontrando espaço na região.
A Arábia Saudita, onde foram anunciados os principais investimentos produtivos e que vinha buscando reduzir compras do Brasil, foi o maior mercado de frango brasileiro em 2025, com aumento de 15,14% nas aquisições, para US$ 942,39 milhões.
Os Emirados Árabes Unidos, outro mercado tradicionalmente relevante, mantiveram compras em níveis próximos aos de 2024.
As importações somaram US$ 937,43 milhões, queda de apenas 0,97%, com aumento dos volumes adquiridos. Parte dessas compras é destinada à reexportação para países com comunidades muçulmanas na África e na Ásia.
Mourad avalia que o comércio entre Brasil e países árabes teve um desempenho satisfatório considerando que 2025 foi um ano de desafios no fronte comercial.
O secretário estima ainda que esse cenário tende a mostrar recuperação em 2026. No quarto trimestre de 2025, as exportações cresceram 8,2% em relação ao mesmo período de 2024, indicando retomada do ritmo.
“Em 2026, teremos Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que é um feriado flutuante, iniciando em 17 de fevereiro. A intensificação de embarques vista no fim de 2025 é um esforço de formação de estoques para a data festiva, mas também acreditamos que seja reflexo da normalização do comércio neste momento pós-tarifaço”, afirmou.
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