O Parlamento Europeu aprovou nesta 4ª feira (21.jan.2026) o envio do acordo comercial entre a UE (União Europeia) e o Mercosul ao Tribunal de Justiça do bloco. A medida atrasa a ratificação do tratado e pode comprometer sua aprovação final.
O acordo foi assinado no último sábado (17.jan) em Assunção, no Paraguai. Apesar da assinatura, o tratado ainda não entrou em vigor. Para isso, precisa ser aprovado pelos parlamentos de todos os envolvidos.
Os eurodeputados que protocolaram a resolução votada nesta 4ª feira (21.jan) disseram que dividir o tratado, deixando a parte comercial para aprovação do Conselho e do Parlamento Europeu, foi uma tática da Comissão Europeia para “impedir que os parlamentos nacionais dos Estados-membros tivessem voz sobre o acordo”. Isso, segundo eles, pode ser considerado ilegal pelo Tribunal.
Eles também questionam a legalidade do chamado “mecanismo de reequilíbrio” introduzido no acordo, que permitiria a um lado buscar compensação caso uma “medida aplicada pela outra parte anule ou prejudique substancialmente qualquer benefício que lhe seja devido nos termos das disposições abrangidas”. Leia a íntegra da resolução, em inglês (PDF – 155 kB).
Com a decisão do Parlamento Europeu, o Tribunal vai analisar se o acordo comercial é compatível com os tratados da UE. Se o parecer for negativo, o texto não poderá entrar em vigor, a menos que seja alterado.
A votação desta 4ª feira (21.jan) foi apertada: 334 eurodeputados votaram a favor do encaminhamento, 324 contra e 11 se abstiveram.
O encaminhamento aprovado suspende o procedimento de aprovação no Parlamento Europeu, que estava previsto para os próximos meses. A decisão do Tribunal de Justiça da UE pode levar mais de 1 ano para ser emitida.
O acordo estabelece uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ao integrar cerca de 780 milhões de consumidores e responder por aproximadamente 25% do PIB (Produto Interno Bruto) global. Com a assinatura, os 2 blocos assumiram o compromisso de reduzir gradualmente tarifas de importação sobre a maior parte dos produtos comercializados bilateralmente.
A UE é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens. O acordo criaria uma área de livre comércio com mais de 700 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22 trilhões.
O Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia em 2025, uma alta de 3,2% em relação a 2024. As importações somaram US$ 50,3 bilhões no ano passado, com crescimento de 6,4% em 1 ano. A corrente comercial –soma das exportações e importações– superou US$ 100 bilhões pela 1ª vez na série histórica, iniciada em 1997. O volume subiu 4,8% em relação ao ano passado.
Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), concluído no início de 2024, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem potencial para aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões –cerca de R$ 50 bilhões na cotação atual. Leia a íntegra (PDF – 3 MB).
1. Eliminação de tarifas alfandegárias
2. Ganhos imediatos para a indústria
Setores beneficiados:
3. Acesso ampliado ao mercado europeu
4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis
5. Salvaguardas agrícolas
UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:
6. Compromissos ambientais obrigatórios
7. Regras sanitárias continuam rigorosas
8. Comércio de serviços e investimentos
Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.
Avanços em setores como:
9. Compras públicas
10. Proteção à propriedade intelectual
11. PMEs (Pequenas e médias empresas)


