Setor elogia envio do acordo à Justiça da UE e critica manobra que reduziria veto de países e parlamentos nacionaisSetor elogia envio do acordo à Justiça da UE e critica manobra que reduziria veto de países e parlamentos nacionais

Associações agrícolas francesas pedem veto ao acordo UE-Mercosul

2026/01/22 01:50
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A Interbev (Associação Nacional Interprofissional de Gado e Carne da França, em português), a Anvol (Associação Nacional Interprofissional de Aves da França, em português) e a Intercéréales (Associação do Setor de Cereais, em português) divulgaram nesta 4ª feira (21.jan.2026) uma carta pedindo que o Tribunal de Justiça da UE (União Europeia) não aprove a ratificação do acordo do bloco com o Mercosul. 

O Parlamento Europeu, por 334 votos a favor e 324 contrários, aprovou também nesta 4ª feira (21.jan) o envio do tema à Corte, que analisará a legalidade da estratégia adotada pela Comissão Europeia para aprovar o tratado. Leia a íntegra da carta, em francês (PDF – 232 kB).

Para as associações, a decisão do Parlamento representa uma “1ª etapa jurídica importante” e um freio à tentativa da Comissão de acelerar a entrada em vigor do acordo. A assinatura do acordo foi realizada em cerimônia no Paraguai, no sábado (17.jan). 

O centro da controvérsia indicada pelas associações é a decisão da Comissão Europeia, tomada em setembro de 2025, de dividir o acordo UE–Mercosul em partes. O que permitiria aprovação do tratado sem a ratificação de todos os Estados-membros, reduzindo o papel dos parlamentos nacionais e eliminando, na prática, o poder de veto de governos contrários ao acordo.

Segundo as associações francesas, essa estratégia enfraquece o controle democrático sobre um tratado com impactos diretos na agricultura europeia. O setor teme concorrência considerada desleal, já que produtos importados do Mercosul não estariam sujeitos às mesmas exigências ambientais, sanitárias e de bem-estar animal impostas aos produtores da União Europeia.

As entidades também rejeitam a possibilidade de aplicação provisória do acordo antes do julgamento da Corte europeia. Para elas, permitir a entrada antecipada de produtos no mercado europeu enquanto a legalidade do processo é questionada seria “inaceitável” e comprometeria a credibilidade das instituições europeias.

No comunicado, as associações afirmam que, caso a Corte valide a divisão do acordo, será criado um precedente perigoso. “Isso abriria caminho para que a Comissão Europeia utilize o mesmo método em futuros acordos comerciais, reduzindo de forma sistemática a participação dos parlamentos nacionais e do Parlamento Europeu”, afirmam. 

Ao final do processo judicial, o setor agrícola francês pede que os eurodeputados rejeitem a ratificação do acordo UE–Mercosul, classificando a decisão como uma responsabilidade política de grande impacto para o futuro da democracia europeia.

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