O Bitcoin alcançou US$ 90.161 nesta quarta-feira, 22 de janeiro de 2026, sinalizando recuperação após período de volatilidade. A alta foi impulsionada por declarações otimistas do presidente Donald Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde afirmou estar pronto para sancionar o Clarity Act “muito em breve”, visando transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas”.
A movimentação reflete um ponto de inflexão estrutural no mercado, com influxos de US$ 1,2 bilhão em ETFs de Bitcoin e adoção institucional crescente. Fluxos diários acima de US$ 500 milhões estão superando o suprimento de mineração, indicador técnico positivo para a continuidade da recuperação.
O Clarity Act, revelado pelo Comitê Bancário do Senado sob liderança de Tim Scott, representa um avanço significativo na regulação cripto americana. O projeto define claramente as jurisdições entre SEC e CFTC, reduzindo a incerteza que tem afetado o setor desde 2023.
Principais características do Clarity Act:
Contudo, o projeto enfrenta críticas. A Coinbase retirou seu apoio ao Clarity Act por preocupações de que a SEC manteria poderes excessivos, restringindo DeFi e limitando juros em stablecoins. Negociações continuam para uma revisão bipartidária que equilibre regulação com inovação.
Enquanto Bitcoin recupera, Ethereum enfrenta desafios significativos. A segunda maior criptomoeda por capitalização apagou todo o progresso de 30 dias, caindo abaixo de US$ 3.000 e invalidando seu canal de recuperação desde dezembro.
A pressão vendedora em Ethereum é particularmente preocupante para grandes investidores. Uma baleia “BTC OG” acumula prejuízo de US$ 65,9 milhões em posição longa alavancada 5x em ETH, após a moeda cair para US$ 2.900. A posição total dessa baleia em criptoativos ultrapassa US$ 797 milhões, com perdas adicionais também em Bitcoin e Solana.
Analistas preveem que Ethereum pode testar níveis ainda mais baixos sem reclamar a resistência de US$ 3.000, com momentum fraco e risco de mais quedas no curto prazo.
Em desenvolvimento positivo para o ecossistema cripto, a Ripple lançou seu stablecoin RLUSD na Binance para trading spot a partir de 22 de janeiro de 2026, às 08:00 UTC. O ativo foi inicialmente lançado na rede Ethereum, com suporte à XRP Ledger previsto para breve.
O lançamento do RLUSD representa a estratégia da Ripple de expandir sua presença além do XRP, oferecendo uma alternativa de stablecoin em um mercado dominado por USDT e USDC. No Brasil, stablecoins já dominam o mercado com volume 12 vezes maior que o do Bitcoin, refletindo preferência de investidores por ativos menos voláteis.
A recuperação do mercado cripto ocorre em contexto de incerteza geopolítica crescente. O Fórum Econômico Mundial em Davos revelou que 40% dos participantes apostam em leve instabilidade econômica e 42% em turbulência grande nos próximos dois anos.
Fatores de risco incluem:
Neste cenário, criptomoedas ganham relevância como hedge contra incerteza macroeconômica e inflação, embora a volatilidade do Bitcoin deva diminuir após resolução de questões-chave como tarifas comerciais.
Apesar dos desafios atuais, especialistas do setor mantêm projeções otimistas para Bitcoin em 2026. Previsões variam entre:
Essas projeções refletem confiança em fatores estruturais positivos: adoção institucional crescente, clareza regulatória emergente, e presença cada vez maior de fundos institucionais em carteiras cripto. Com menor volatilidade e mais regulação, criptomoedas deixaram de ser um “artigo exótico” e integram carteiras de investidores conservadores e arrojados.
Embora o Clarity Act represente progresso significativo, desafios regulatórios persistem. A CFTC possui orçamento muito inferior à SEC, o que pode enfraquecer enforcement. Além disso, a OCC sofreu demissões e ciberincidentes que comprometem sua capacidade operacional.
Propostas adicionais à SEC incluem proteções para autocustódia (direitos de custódia própria) e regras para DeFi e ações tokenizadas, evitando classificação automática como “negociantes” sob a Lei de Câmbio. Essas discussões refletem esforço do setor para criar framework regulatório que proteja investidores sem sufocarem inovação.
O mercado cripto entra em fase crítica. A aprovação do Clarity Act nos próximos meses pode ser catalisador para recuperação sustentada, especialmente se acompanhada de clareza sobre política monetária do Federal Reserve e resolução de tensões comerciais.
Investidores devem monitorar:
A volatilidade do Bitcoin tende a diminuir conforme questões-chave são resolvidas, criando ambiente mais estável para investimentos de longo prazo. O ano de 2026 pode marcar transição definitiva de criptomoedas de ativo especulativo para componente estabelecido de carteiras diversificadas.
Bitcoin ultrapassa US$ 90 mil em contexto de avanços regulatórios significativos e incerteza geopolítica crescente. O Clarity Act promete transformar o panorama regulatório americano, enquanto projeções otimistas sugerem potencial de dobro de preço em 2026. Contudo, desafios persistem: Ethereum enfrenta pressão vendedora, recursos regulatórios são limitados, e incerteza geopolítica global permanece elevada.
Para investidores, 2026 representa oportunidade em contexto de maior clareza regulatória, mas exige cautela diante de volatilidade macroeconômica. A aprovação do Clarity Act será teste crucial para viabilidade de transformação dos EUA em “capital mundial das criptomoedas”, como prometido por Trump em Davos.


