O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), disparou 3,33% nesta quarta-feira (21), encerrando o pregão aos 171.816,67 pontos, renovando o recorde de fechamento. Essa foi a primeira alta diária acima de 3% desde abril de 2025 e o maior avanço percentual desde abril de 2023, sinalizando uma sessão de forte apetite por risco no mercado doméstico.
O movimento ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou em rede social a suspensão de tarifas adicionais que entrariam em vigor em 1º de fevereiro sobre países europeus contrários à anexação da Groenlândia, reduzindo tensões comerciais globais e favorecendo ativos de mercados emergentes.
Durante discurso no Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, Trump também afirmou buscar “negociações imediatas” para a aquisição da Groenlândia, descartando o uso de força militar. A fala foi interpretada como um gesto de redução de risco geopolítico.
No Ibovespa, os ativos também reagiram a dados eleitorais. A pesquisa da AtlasIntel mostrou que, em um eventual segundo turno, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro reduziu. O presidente aparece com 49,2% das intenções de voto, contra 44,9% do senador. Para agentes de mercado, o levantamento aumentou a percepção de maior competitividade eleitoral.
Entre os destaques do pregão, os papéis da Petrobras subiram 4,59% (PETR4) e 3,53% (PETR4), enquanto a Vale avançou 3,02%. No setor financeiro, destaque para Itaú, que registrou ganho de 4,38% (PN).
Nas maiores altas do dia figuraram Cogna (+10,96%) e Yduqs (+8,91%). Já a TIM foi a única ação a encerrar o pregão em queda.
No câmbio, o dólar caiu 1,11% ante o real, negociado a R$ 5,32, com a diversificação global de carteiras para fora dos Estados Unidos.
No cenário internacional, o mercado repercute o discurso de Donald Trump em Davos, no qual descartou o uso da força para assumir o controle da Groenlândia e recuou da ameaça de impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido.
Segundo Trump, a suspensão das tarifas faz parte de um acordo envolvendo minerais estratégicos. As negociações agora ficarão a cargo do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e do enviado especial Steve Witkoff.
A notícia animou os mercados da Europa à Ásia, que abriram a sessão desta quinta-feira (22) em alta relevante.
Também estão no radar os indicadores dos EUA, como os pedidos iniciais de seguro-desemprego, o PIB do terceiro trimestre e a inflação PCE subjacente de novembro, principal métrica de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed).
No Brasil, o Estadão publicou reportagens envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em apurações relacionadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
Em uma das matérias, uma equipe de jornalistas foi a Marília (SP), onde o imóvel de um irmão de Dias Toffoli aparece como sede da empresa Maridt Participações. Segundo a reportagem, a empresa vendeu, por R$ 3,3 milhões, parte do resort de luxo Tayayá, no Paraná, a um fundo pertencente a um cunhado de Vorcaro. O ministro Dias Toffoli é o relator do inquérito do caso Banco Master no STF, após aceitar pedido da defesa de Vorcaro para que o processo fosse remetido à Corte.
Em outra reportagem, o jornal aponta que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, atuou como representante do Banco Master em um processo que investiga o empresário Nelson Tanure por crimes contra o mercado de capitais.
O caso passou a tramitar no STF depois que a Justiça Federal em São Paulo declinou da competência e enviou a investigação ao Supremo, onde o processo está sob relatoria de Dias Toffoli. O inquérito corre em sigilo.
As Bolsas da Europa disparam após Trump recuar na ameaça de tarifas. Em Davos, Trump acrescentou que ele e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, “estabeleceram as bases para um futuro acordo relativo à Groenlândia e, na verdade, a toda a região do Ártico”.
No noticiário corporativo, as ações da Volkswagen avançam 5,23% após a empresa encerrar 2025 com posição de caixa acima do esperado, reflexo do adiamento de projetos e investimentos.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em alta generalizada após Trump recuar quanto a uma ação armada na Groenlândia e à implementação de tarifas adicionais contra a Europa.
Na China, Xangai fechou em leve alta de 0,14% e Shenzhen, de 0,51%, enquanto em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,17%. Tóquio teve alta mais expressiva, com o Nikkei em alta de 1,76% e o índice Kospi fechou em +0,87%.
Em Nova York, os índices futuros dão sequência aos fortes ganhos da véspera, após o presidente Donald Trump recuar da ameaça de impor tarifas à Europa e sinalizar a possibilidade de um acordo envolvendo a Groenlândia.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro: +0,6%
• FTSE 100: +0,61%
• CAC 40: +1,23%
• Nikkei 225: +1,76%
• Hang Seng: +0,17%
• Shanghai SE Comp: +0,14%
• Ouro: -0,83%, a US$ 4.791,9 por onça troy
• Índice do dólar (DXY): -0,03%, aos 98,733 pontos
• Bitcoin: +0,85%, a US$ 90.000,1
Nos EUA, o principal destaque da agenda econômica desta quinta-feira é o PIB dos Estados Unidos, que deve registrar crescimento de 4,3% no terceiro trimestre na comparação com o período anterior.
Também serão divulgados os dados do PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed. A expectativa é de desaceleração mensal de 0,27% em setembro para 0,17% em outubro e 0,2% em novembro, refletindo menor pressão de preços em alimentos e bebidas após os efeitos iniciais do repasse tarifário.
O mercado ainda acompanha a temporada de balanços, com destaque para os resultados da Intel e da General Electric.
Na Ásia, o PIB da Coreia do Sul recuou 0,3% no quarto trimestre, com queda nas exportações e na construção civil.
No Japão, as exportações cresceram 5,1% em dezembro, no quarto avanço consecutivo, apesar da retração de 11,1% nos embarques para os Estados Unidos na comparação anual.
No Brasil, o principal destaque é a divulgação da arrecadação federal de dezembro e do resultado consolidado de 2025.
Para o mês, a estimativa é de arrecadação de R$ 286,9 bilhões, o que representa crescimento real de 5,3% na comparação anual. No acumulado do ano, a receita deve alcançar R$ 2,9 trilhões. Apesar do resultado ainda robusto, a alta real de 3,4% em 2025 indica desaceleração em relação ao avanço de 9,6% registrado em 2024.
O mercado também monitora os desdobramentos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, após o Parlamento Europeu encaminhar o tratado ao tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar ou impedir sua implementação.
Na agenda político-econômica, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, concede entrevista às 11h para comentar os números.
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