Os hedge funds voltaram ao centro das atenções de Wall Street após atravessarem um longo período de desempenho decepcionante conhecido no mercado como “alpha winter”. Em 2025, a indústria registrou seu melhor resultado em mais de uma década, impulsionada por juros mais altos, maior volatilidade e uma dispersão relevante entre os ativos — cenário considerado ideal para gestores ativos.
O movimento reacendeu o interesse de investidores institucionais e reposicionou os fundos multimercados globais como uma das classes de ativos mais demandadas para 2026.
O desempenho agregado dos hedge funds em 2025 foi o mais forte desde 2013. Segundo o índice da PivotalPath, que acompanha cerca de 1.300 fundos com US$ 2 trilhões sob gestão, o retorno médio do setor foi de 11,9% no ano, enquanto o topo da indústria entregou ganhos próximos de 30%.
Esse desempenho levou grandes investidores institucionais — como fundos de pensão, endowments e fundações — a aumentar suas alocações. Dados da Goldman Sachs, com base em uma pesquisa com 317 investidores globais, mostram que 45% pretendem elevar a exposição a hedge funds em 2026, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2017.
Durante grande parte da década de 2010, os hedge funds enfrentaram dificuldades para gerar alfa. O ambiente de juros próximos de zero, baixa volatilidade e correlação elevada entre ativos reduziu drasticamente as oportunidades de ganho relativo.
Esse período ficou marcado por:
Agora, o cenário é outro.
Com taxas de juros globais acima de 2%, políticas monetárias divergentes entre países e episódios recorrentes de instabilidade geopolítica, o mercado passou a oferecer mais assimetria e oportunidades táticas.
Segundo executivos do JPMorgan e da Goldman Sachs, esse ambiente favorece estratégias como:
Não por acaso, os bancos também reportaram lucros recordes em suas mesas de prime brokerage, que atendem diretamente os hedge funds.
Entre os nomes de maior destaque no ano estão:
O retorno consistente também tornou os investidores mais tolerantes a custos elevados. A pesquisa da Goldman Sachs mostra que:
Alguns gestores já anunciaram aumentos adicionais. A Rokos Capital Management, por exemplo, pretende elevar a taxa de performance para 25% nos próximos anos.
Apesar do bom momento, especialistas alertam que o entusiasmo com hedge funds costuma ser cíclico. Para o investidor de longo prazo, o custo continua sendo um fator decisivo.
John Bogle, criador da Vanguard e defensor histórico da gestão passiva, foi direto ao afirmar que:
“No agregado, os gestores ativos não superam o mercado após custos. O que eles ganham em performance, perdem em taxas.”
Essa crítica permanece atual, especialmente em períodos em que poucos gestores concentram a maior parte dos ganhos.
Para Fábio Murad, CEO da SpaceMoney, o retorno dos hedge funds não invalida a lógica da eficiência:
“O investidor pessoa física não precisa competir com hedge funds. Ele pode capturar o crescimento global com ETFs de baixo custo e, se quiser renda, usar estratégias como Covered Call de forma disciplinada.”
Segundo Murad, o verdadeiro diferencial está em controlar custos, operar em dólar e explorar estruturas simples, algo que a maioria dos hedge funds não consegue fazer com eficiência para o pequeno investidor.
O retorno dos hedge funds ao topo da cadeia financeira marca uma mudança importante no ciclo de mercado. No entanto, o movimento também reforça uma velha lição: o alfa é escasso, concentrado e caro.
Para a maioria dos investidores, estratégias baseadas em ETFs globais, diversificação ampla e geração de renda estruturada continuam sendo o caminho mais racional para construir patrimônio no longo prazo.


