Nos EUA, o Bitcoin é tratado como propriedade. Esse enquadramento legal transforma cada pagamento em BTC num evento tributável, forçando os utilizadores a calcular ganhos e reportar transações, independentemente do valor. O resultado é previsível: as pessoas evitam gastar Bitcoin completamente, não porque não funcione, mas porque não vale o risco de conformidade.
Um sistema que as pessoas hesitam em usar não pode competir com dinheiro ou cartões, independentemente de quão avançado se torne.
Rochard argumenta que a adoção depende de incentivos, não de ideologia. Se pagar com Bitcoin expõe os utilizadores a auditorias ou penalidades, eles simplesmente optarão por não usar. Ele rejeitou alegações de que os pagamentos em Bitcoin permanecem fracos mesmo em jurisdições de baixa tributação, afirmando que os dados disponíveis mostram que o uso cresce mais rapidamente onde a fiscalização é mais leve.
O ponto, na sua opinião, não é se o Bitcoin é tecnicamente superior. É se as pessoas se sentem seguras a usá-lo. Sem isso, o Bitcoin permanece preso num papel apenas de poupança.
Essa preocupação é cada vez mais partilhada por grupos focados em políticas. O Bitcoin Policy Institute alertou recentemente que tributar cada pagamento em Bitcoin torna-o estruturalmente inadequado para uso diário. A sua conclusão foi direta: não se pode esperar que uma moeda circule se gastá-la for penalizado.
A frustração intensificou-se à medida que os reguladores dos EUA consideram isenções fiscais de minimis para stablecoins, enquanto o Bitcoin permanece totalmente tributável. Os críticos argumentam que isto cria condições desiguais, favorecendo tokens vinculados ao dólar enquanto mantém o Bitcoin confinado como um ativo especulativo.
Há sinais de movimento. Em 2025, Cynthia Lummis propôs isentar pequenas transações de ativos digitais de impostos federais, visando explicitamente pagamentos quotidianos em vez de atividade de investimento. O projeto de lei também visava adiar impostos sobre recompensas de mineração e staking até que os ativos sejam vendidos.
Vozes da indústria ecoaram esse impulso. Depois de a Square ter habilitado pagamentos em Bitcoin, Jack Dorsey apelou publicamente a alívio fiscal em pequenas transações de BTC, argumentando que o Bitcoin não funcionará como dinheiro a menos que seja permitido comportar-se como dinheiro.
Ao nível estadual, os legisladores de Rhode Island estão a explorar isenções fiscais limitadas para pagamentos em Bitcoin, enquadrando o esforço como uma experiência controlada para normalizar o uso de moeda digital sem prejudicar a cobrança de impostos.
O debate centra-se agora numa questão simples: deve o Bitcoin ser tributado como propriedade para sempre, ou tratado como ferramenta de pagamento quando usado como tal?
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O artigo Por Que as Regras Fiscais, e Não a Tecnologia, Estão a Impedir o Bitcoin Como Ferramenta de Pagamento apareceu primeiro em Coindoo.


