Gavin Newsom questiona práticas de moderação do TikTok após relatos de censura — Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg via Getty Images
A relação entre o TikTok e o governo americano ganhou um novo capítulo de tensão. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, determinou a abertura de uma investigação para apurar se a plataforma está violando leis estaduais ao supostamente censurar publicações com críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à atuação do ICE.
A decisão foi anunciada na segunda (27) pelo gabinete de Newsom, que afirmou ter recebido relatos e confirmado casos de supressão de conteúdo. O Departamento de Justiça da Califórnia ficará responsável por avaliar se há irregularidades nas práticas de moderação da rede social, segundo informações do jornal britânico The Guardian.
A cantora Billie Eilish têm sido uma crítica contundente da atuação do ICE — Foto: Reprodução/Instagram
Usuários têm questionado a ausência de temas como Groenlândia e ICE no aplicativo, depois que a ByteDance e Donald Trump entraram em acordo sobre a atuação do TikTok nos Estados Unidos. Uma usuária mais famosa chamou a atenção: a cantora Billie Eilish, que vem protestando contra a repressão dos imigrantes no país.
A polêmica expõe interpretações conflitantes sobre os problemas recentes enfrentados por usuários da plataforma. Enquanto autoridades californianas levantam a hipótese de censura deliberada, o TikTok apresenta uma explicação técnica para os incidentes.
Representantes do empreendimento conjunto que opera a plataforma nos Estados Unidos atribuíram as dificuldades a uma queda de energia em um centro de dados. Conforme comunicado citado pelo The Guardian, o problema desencadeou falhas em cascata nos sistemas, resultando em lentidão, erros e impossibilidade de publicar novos conteúdos para diversos usuários.
A empresa rejeitou qualquer sugestão de censura política, afirmando que seria "impreciso relatar que isso é algo além das questões técnicas que confirmamos de forma transparente".
Diversos usuários reportaram dificuldades específicas ao tentar publicar conteúdos relacionados a temas politicamente sensíveis. Steve Vladeck, professor da Faculdade de Direito da Universidade Georgetown, informou que um vídeo sobre possíveis abusos de autoridade de agentes federais de imigração foi colocado em revisão pela plataforma.
Casey Fiesler, especialista em ética tecnológica da Universidade do Colorado, relatou à CNN problemas similares ao tentar carregar vídeos sobre ações de repressão a imigrantes em Minneapolis. A pesquisadora observou que a falta de confiança dos usuários na nova estrutura de controle do TikTok não chega a surpreender, dada a recente mudança de propriedade.
A controvérsia surge poucos dias após a conclusão de uma operação que redistribuiu o controle acionário do TikTok nos Estados Unidos. A ByteDance, empresa chinesa que detinha a plataforma, cedeu participação majoritária a investidores americanos e internacionais em um acordo avalizado por Washington e Pequim.
Segundo o The Guardian, a nova estrutura concentra 80,1% do empreendimento conjunto nas mãos de investidores não-chineses, enquanto a ByteDance mantém 19,9%. Oracle, Silver Lake e MGX são os três principais acionistas, cada um com 15% de participação.
O negócio encerra anos de disputas entre a empresa e sucessivos governos americanos, que expressavam preocupações sobre riscos à segurança nacional e à privacidade dos cidadãos. Tanto a gestão de Trump quanto a do ex-presidente Joe Biden pressionaram por mudanças no controle da plataforma, que reúne mais de 200 milhões de usuários no país.
A investigação ordenada por Newsom, do Partido Democrata, adiciona uma camada política à questão técnica. Trump, do Partido Republicano, mantém relacionamento público favorável com a plataforma, onde acumula mais de 16 milhões de seguidores. O presidente chegou a afirmar que o TikTok contribuiu para sua vitória eleitoral em 2024 e elogiou o acordo de transferência de controle.


