App DinoTracker — Foto: Reprodução Helmholtz Zentrum Berlim
Um novo aplicativo, desenvolvido por cientistas europeus, promete auxiliar na identificação de dinossauros a partir de suas pegadas fossilizadas. Batizado de DinoTracker, ele utiliza inteligência artificial para fazer o trabalho.
“Quando encontramos uma pegada de dinossauro, tentamos fazer como a Cinderela e encontrar o pé que combina com o sapatinho de cristal”, disse Steve Brusatte, coautor do trabalho e professor da Universidade de Edimburgo, da Escócia, ao The Guardian. “Mas não é tão simples, porque o formato da pegada de um dinossauro depende não só do formato do pé do dele, mas também do tipo de areia ou lama em que ele estava caminhando e do movimento do seu pé.”
Brusatte e colegas salientaram que pegadas de dinossauros são notoriamente difíceis de interpretar. Segundo eles, os métodos tradicionais de aprendizado de máquina exigem conjuntos de dados enormes e rotulagem manual, o que pode introduzir viés — especialmente porque o verdadeiro autor de uma pegada raramente é conhecido.
Para superar isso, a equipe aplicou uma rede neural não supervisionada chamada "autoencoder variacional disentangled". O modelo foi treinado com quase 2.000 pegadas fósseis, além de milhões de variações aumentadas para simular mudanças realistas, como compressão e deslocamento das bordas.
Após testar quase 1.000 arquiteturas neurais, os pesquisadores relataram em artigo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences) que encontraram uma “rede compacta e robusta” que, por si só, identificou oito características-chave da variação da pegada. Foram elas: quantidade de contato com o solo; abertura dos dedos; inserção dos dedos; carga no calcanhar; ênfase nos dedos e no calcanhar; posição de carga; posição do calcanhar; e carga esquerda-direita. Quando comparado com classificações de especialistas, o algoritmo alcançou uma concordância de 80% a 93%.
O sistema foi transformado no aplicativo gratuito DinoTracker, para permitir que cientistas e entusiastas carreguem ou desenhem uma pegada e recebam análises instantâneas. “Nosso método oferece uma maneira imparcial de reconhecer variações nas pegadas e testar hipóteses sobre seus autores”, destacou Gregor Hartmann, do centro Helmholtz-Zentrum Berlin, da Alemanha. “É uma ferramenta para pesquisa, educação e até mesmo trabalho de campo”, completou.


