A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Cármen Lúcia, afirmou nesta 3ª feira (27.jan.2026) que o uso da inteligência artificial será um dos principais desafios das eleições de 2026. Deu a declaração na abertura do “Seminário da Justiça Eleitoral sobre Segurança, Comunicação e Desinformação”, promovido pela Corte Eleitoral.
Segundo a ministra, o avanço tecnológico ampliou os riscos de manipulação da vontade do eleitor por meio da divulgação de conteúdos falsos que simulam fatos reais. Para ela, a desinformação pode comprometer a liberdade de escolha do eleitor. “A tecnologia não é boa ou ruim em si, mas o mau uso pode contaminar eleições”, disse.
Assista ao discurso de Cármen na abertura do seminário (17min24s):
Cármen afirmou que a Justiça Eleitoral atua de forma permanente para assegurar que o processo eleitoral se dê com segurança e confiança. Segundo ela, o objetivo é garantir que o eleitor vote de forma livre, sem pressões ou restrições indevidas.
“Nosso dever funcional é garantir a integridade do processo eleitoral e a tranquilidade da sociedade. Havendo qualquer problema, haverá resposta do poder público por meio da Justiça Eleitoral, que administra e proclama os resultados”, declarou.
Ao tratar da inteligência artificial, a ministra defendeu a identificação de conteúdos manipulados e a definição de critérios transparentes para eventual retirada desse material, sem violar a liberdade de expressão, que classificou como pilar da democracia.
A defesa pela liberdade de expressão contrasta com uma posição da própria ministra de outubro de 2022. Na ocasião, o TSE julgava a desmonetização de canais que divulgavam conteúdos favoráveis a Jair Bolsonaro (PL), presidente na época.
A Corte Eleitoral determinou a suspensão da exibição do filme “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”. Em seu voto, Cármen disse que “não se pode permitir a volta de censura sob qualquer argumento no Brasil”, mas que a situação era “excepcionalíssima”. Ela votou a favor.
Assista à fala de Cármen Lúcia em outubro de 2022 (2min24s)
O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, disse que a corporação estruturou um plano de segurança para as eleições de 2026 baseado em 3 eixos:
Andrei também destacou o uso de tecnologia e o cruzamento de bases de dados, respeitados os limites legais, como ferramenta para fortalecer a atuação da PF. De acordo com ele, análises que envolvem dados eleitorais, doações de campanha e informações de inteligência já permitiram avanços em Estados como Rio de Janeiro e Ceará.


