Diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, declarou que as técnicas de auditorias são suficientes para identificar irregularidadesDiretor de Fiscalização, Ailton Aquino, declarou que as técnicas de auditorias são suficientes para identificar irregularidades

Governança do BRB deveria ter identificado fraude, diz BC à PF

2026/01/30 02:17
Leu 5 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em crypto.news@mexc.com

O diretor de Fiscalização do BC (Banco Central), Ailton de Aquino, disse em 30 de dezembro, durante depoimento à PF (Polícia Federal), que a governança do BRB (Banco de Brasília) deveria ter identificado a existência das carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master no processo de aquisição da instituição financeira.

Janaina Pereira Lima Palazzo, delegada da Polícia Federal, questionou o diretor do Banco Central se as técnicas de auditoria são suficientes para identificar a inexistência dos créditos nas carteiras do Master. Ele respondeu positivamente.

“Como auditor de carreira, e aplicando técnicas, eu tenho certeza de que a governança do BRB deveria ter identificado [as fraudes]. Não tenho dúvidas disso. Aplicando técnicas, é possível”, disse Aquino à PF.

O diretor afirmou que houve uma “falha” na governança do BRB. Ele declarou que o Banco Central inquiriu a estatal de Brasília por “vários ofícios” acerca da origem dos créditos.

O Poder360 teve acesso aos vídeos do depoimento.

Assista (4min02):

Segundo Aquino, é normal que –mesmo que não houvesse uma internalização da carteira de crédito do Master– o banco adotasse uma gestão de risco e acompanhamento para analisar a veracidade dos títulos.

“No ponto específico do BRB, como eu não faço auditoria direta na instituição, ou seja, são os meus supervisores, eu não tenho o detalhe de como se processa no BRB. Por isso, eu não vou me aventurar em responder do ponto de vista da internalização do BRB”, disse Aquino à PF.

O diretor afirmou que acompanha 1.850 instituições financeiras no país e que se ofereceu a enviar os documentos dos procedimentos de auditoria no Banco de Brasília.

PROVISÕES NO BRB

Aquino declarou ainda que o BRB teria que fazer uma provisão –reserva de recursos– superior a R$ 5,0 bilhões por causa da cessão de créditos inexistentes do Master ao banco.

O Banco Central perguntou ao BRB em 21 de novembro quais eram as ações em curso, poucos dias depois da operação da Polícia Federal que prendeu Daniel Vorcaro. O banco respondeu, segundo o diretor, que havia necessidade de provisionamento em função das carteiras de crédito inexistentes.

O diretor do Banco Central disse que enviou ao Supremo um ofício dizendo que o BRB deve fazer um ajuste integral e imediato de R$ 2,6 bilhões. Deve fazer um também um ajuste “a valor justo do ponto de vista contábil” de R$ 2,2 bilhões. Além disso, o Banco de Brasília deverá revisar a metodologia do risco de crédito do PD (Probability of Default) e LGD (Loss Given Default), que são métricas de perdas bancárias em risco de crédito.

O Banco Central proibiu o BRB de comprar novas carteiras de crédito, aplicando a Resolução 4.019. O banco estatal não poderá também atuar em crédito consignado. Aquino reconheceu que a medida é “muito dura”, porque a autoridade monetária interfere diretamente nos negócios da instituição financeira.

A [resolução] 4.019 é algo que só se aplica diante de casos graves”, declarou o diretor do Banco Central. “São medidas drásticas perante as instituições financeiras. Não é normal a aplicação da 4.019 no âmbito do Banco Central, mas, em casos necessários, a gente aplica, porque é uma medida dura”, completou.

FRAUDES DO MASTER

Aquino declarou que o Banco Central teve “certeza” sobre as fraudes depois de reunião realizada em 27 de junho de 2025 com representantes da Cartos Sociedade de Crédito Diretor S.A e com a Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A.

O diretor disse à Polícia Federal que o sócio da Tirreno, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, teria dito que “gerou” mais de R$ 6 bilhões em créditos, o que seria “impossível” dado o porte da companhia.

“Como alguém que não tinha liquidez poderia gerar tanto crédito nessa magnitude para ceder ao BRB?”, disse Aquino à

Aquino tratou sobre a emissão de CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) sem lastro do Banco Master. A instituição financeira teve um crescimento exponencial, mas tinha elevados problemas de insolvência e liquidez. O Banco Central acusa a empresa de gestão fraudulenta para maquiar a contabilidade.

A delegada demonstrou interesse sobre o envolvimento da Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A, uma companhia com sede em São Paulo que é investigada por ter “originado” uma carteira de R$ 6,7 bilhões em créditos consignados em operações inexistentes. O Master obteve um pedaço dos papéis da empresa e vendeu ao BRB sem lastro.

A delegada disse à Aquino que houve uma divergência entre os depoimentos do Banco Master e do BRB (Banco de Brasília). Enquanto o Master dizia que os créditos eram verdadeiros, a estatal declarou que o extrato era uma “ficção” e que nunca recebeu os valores.

MEDIDAS DO BANCO CENTRAL

O Banco Central liquidou extrajudicialmente o Banco Master em 18 de novembro de 2025. Acusou a instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões.

Em novembro, a autoridade monetária deixou de fora da sanção o Will Bank, instituição financeira que era do conglomerado do Master. Em janeiro, porém, o BC liquidou o Will Bank. Não havia tomado a decisão antes pelo papel de “inclusão” da empresa, que tem maior parcela da clientela composta por classes C, D e E, segundo o Banco Central.

Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail crypto.news@mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.

Role os dados e ganhe até 1 BTC

Role os dados e ganhe até 1 BTCRole os dados e ganhe até 1 BTC

Convide amigos e divida 500,000 USDT!