O Presidente Donald Trump tem frequentemente invocado o espectro da China nas suas ameaças de anexar a Gronelândia ao Reino da Dinamarca, afirmando que se os Estados Unidos não assegurarem a ilha, esta poderá ser utilizada estrategicamente pelo Partido Comunista Chinês.
Mas numa reviravolta irónica, a própria China esperava usar a obsessão de Trump pela Gronelândia para enfraquecer a aliança NATO e aproximar-se da Europa, de acordo com telegramas diplomáticos obtidos pela Politico.
"Um telegrama da Embaixada dos EUA em Pequim de 21 de janeiro sugere que o governo chinês está ansioso por beneficiar dos movimentos de Trump contra a Gronelândia. A situação 'oferece à China uma oportunidade de beneficiar do modo hedge europeu' e poderia 'amplificar as fricções transatlânticas', escreveram diplomatas norte-americanos ao expor o pensamento na China", afirmou o relatório. "Mas o telegrama, que cita meios de comunicação social e analistas afiliados ao Partido Comunista Chinês no poder, também observa que a liderança chinesa estava consciente de que uma maior presença militar dos EUA na Gronelândia poderia complicar os seus objetivos no Ártico e 'consolidar as vantagens militares e de infraestrutura dos EUA'."
Vários outros telegramas diplomáticos sublinharam ainda mais a pressão que o espetáculo secundário da Gronelândia colocou nos países europeus, com muitos líderes enfurecidos mas também temerosos de que uma repreensão demasiado forte a Trump pudesse fazer desmoronar parcerias militares críticas.
Tanto a Dinamarca como o governo gronelandês fecharam a porta à aquisição da Gronelândia pelos EUA; ainda assim, os militares, através da aliança NATO, têm desfrutado de acesso à ilha para fins estratégicos há décadas.
No início deste mês, Trump aparentemente recuou de uma postura de ameaçar enviar tropas para a Gronelândia, afirmando ter alcançado o "enquadramento de um acordo futuro" para determinar o estatuto da Gronelândia.


