Empresário afirma que operações com o banco público renderam resultados históricos e nega prejuízo ao BRB ou a clientesEmpresário afirma que operações com o banco público renderam resultados históricos e nega prejuízo ao BRB ou a clientes

BRB só teve lucro com negócios do Master, diz Vorcaro

2026/01/30 07:42
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O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que os negócios firmados entre a sua empresa e o BRB (Banco de Brasília) foram os principais geradores de resultados financeiros para a instituição pública nos últimos anos. Segundo ele, todas as operações trouxeram lucro ao banco brasiliense.

Sem dúvida nenhuma o Banco Master só trouxe resultado para o BRB. Resultados históricos, todos os negócios que a gente fez”, declarou em depoimento à Polícia Federal, realizado em 30 de dezembro no Supremo Tribunal Federal e gravado.

Vorcaro disse que, quando as instituições passaram a negociar ativos, o BRB atravessava um período de baixo desempenho. “O BRB, quando a gente se conhece ali em 2024, era um banco que não estava dando resultado coerente com banco de mercado”.

Segundo ele, o cenário mudou após as operações com o Master. “Depois que a gente começa a fazer negócio, ele começa a dar resultados”.

Na avaliação do fundador do Master, a negociação dos 2 bancos para a compra da carteira da Tirreno, no valor de R$ 6 bilhões, não trouxe prejuízo para o BRB nem para clientes finais: “A gente devolveu o dinheiro e depois ele recomprou outros ativos nossos”.

O banqueiro declarou ainda que não houve facilitação nas aprovações em razão de uma possível aquisição do Master pelo BRB. “Zero. Nenhuma”, respondeu ao ser questionado sobre favorecimento. Segundo ele, as operações passaram pelos filtros normais: “Passou pelo crivo normal e os filtros normais deles”.

Ele disse que, mesmo com negociações societárias em andamento, houve divergências entre as instituições. “Eu defendendo o Banco Master e o presidente do BRB defendendo a instituição dele”, afirmou.

VÍDEOS DO CASO MASTER

Daniel Vorcaro (fundador do Master), Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Ailton Aquino (diretor do Banco Central) foram ouvidos no STF, em Brasília, em 30 de dezembro de 2025. Após a coleta dos depoimentos, foi realizada uma acareação entre Vorcaro e Costa, em que os 2 divergiram (assista à íntegra).

O Poder360 teve acesso aos vídeos dos depoimentos. Clique aqui para assistir.

Eis o que disse Daniel Vorcaro:

  • conversou com Ibaneis sobre venda do Master (Ibaneis negou);
  • defesa pediu para apurar vazamento de informações da acareação;
  • fiscalização do BC recomendou venda do Master ao BRB;
  • negou senha de celular à PF para proteger “relações pessoais”.

Assista à íntegra do depoimento de Vorcaro: parte 1, parte 2 e parte 3.

Eis o que disse Paulo Henrique Costa:

  • falava com Ibaneis porque governo é maior acionista;
  • não havia evidência de problemas nas carteiras do Master;
  • sabia que Banco Master poderia quebrar;
  • Master nunca pagou Tirreno pelas carteiras de crédito;
  • cobrou Vorcaro por informações sobre Tirreno;
  • sugeriu que Vorcaro deixasse a sociedade do Master.

Assista à íntegra do depoimento de Costa: parte 1 e parte 2 e parte 3.

Eis o que disse Ailton Aquino:

  • governança do BRB deveria ter identificado fraude;
  • Master tinha R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação;
  • não houve pressão do governo para liquidar o Master;
  • caso Master é muito similar ao do Cruzeiro do Sul;
  • BC teve certeza de fraude após reunião realizada em junho.

Assista à íntegra do depoimento de Aquino: parte 1 e parte 2.

A Polícia Federal apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro orquestrado envolvendo o Banco Master e seus executivos. O caso está no Supremo, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. O magistrado afirmou que ele é quem decidirá se o processo segue na Corte ou vai para a 1ª Instância.

Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento dos quais o banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.

Copyright Infografia/Poder360
A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank, ligado à instituição, representou o maior rombo bancário do país: R$ 47,3 bilhões
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