As pesquisas eleitorais para a Presidência da República passaram a ocupar espaço frequente no noticiário. Mas apesar do cenário fragmentado, a Bolsa brasileira tem seguido outra dinâmica, disparando e acumulando quase 20 mil pontos em duas semanas.
Segundo Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, a alta no curto prazo responde a fundamentos econômicos, fluxo de capital e perspectivas de longo prazo, com investidores estrangeiros direcionando seu capital ao Brasil.
A percepção de que os Estados Unidos passou a ser um destino arriscado favoreceu ativos brasileiros, que começaram a mostrar sinais de alívio. Na B3, o principal beneficiado dessa valorização foi o setor de energia elétrica.
No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Vasconcellos explica por que contratos longos, concessões de infraestrutura e a necessidade de investimento no setor pesaram mais para o mercado do que o ruído político.
Confira o vídeo completo:
Apesar de ser um segmento regulado, com forte presença do Estado e influência política, o setor elétrico oferece características valorizadas por investidores estrangeiros de longo prazo. A previsibilidade das regras e das receitas é um dos principais fatores que sustentam esse interesse.
Dados da B3 indicam que, entre os ETFs negociados na Bolsa brasileira, o fundo de utilities (utilidade pública) — composto majoritariamente por elétrica — apresentou o melhor desempenho em 2025, com alta superior a 60%.
Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, valorizou (34%) quase metade no mesmo período.
O avanço do setor elétrico ocorre em paralelo a um ciclo recorde de concessões de infraestrutura no Brasil. Rodovias, portos e aeroportos foram transferidos à iniciativa privada, ampliando a participação do capital privado em setores essenciais.
No setor elétrico, a renovação das concessões em 2025 envolveu disputas judiciais e questionamentos regulatórios, mas os contratos foram mantidos, com prazos de até 30 anos e exigência de novos investimentos.
O Plano Nacional de Energia 2050 projeta que a demanda por eletricidade no Brasil pode triplicar até 2050. O crescimento é explicado por maior eletrificação da economia, digitalização, expansão de data centers e aumento do consumo per capita.
O documento aponta que a transição energética envolve não apenas a mudança das fontes de geração, mas também a expansão da transmissão, modernização das redes e adaptação a eventos climáticos extremos.
Segundo o plano, o Estado brasileiro não possui capacidade fiscal para financiar sozinho esse volume de investimento. A participação da iniciativa privada passa a ser uma condição para a expansão do sistema elétrico.
Nesse modelo, os investimentos — conhecidos como CapEx, ou despesas de capital — são remunerados ao longo do tempo por meio das tarifas previstas em contrato.
O post Bolsa e setor de energia elétrica disparam às vésperas da eleição apareceu primeiro em Monitor do Mercado.
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