O operador de usina hidrelétrica é a inteligência humana por trás da estabilidade do sistema elétrico nacional. Em uma sala de controle repleta de monitores, este profissional toma decisões em segundos que evitam apagões em cidades inteiras e garantem que a energia chegue com qualidade à indústria e às residências.
Sua principal função é monitorar em tempo real os parâmetros de geração, como tensão, frequência e temperatura das turbinas. Ele atua em sintonia direta com o Operador Nacional do Sistema (ONS), realizando manobras de abertura e fechamento de comportas ou sincronismo de geradores conforme a demanda de energia do país oscila.
Diferente de trabalhos administrativos, a operação exige atenção difusa constante. Um simples alarme sonoro pode indicar desde uma falha irrelevante até o superaquecimento de um mancal que, se ignorado, causaria prejuízos milionários e o desligamento forçado de unidades geradoras essenciais.
Projetos milionários e falta de profissionais qualificados tornam o técnico de comissionamento uma peça-chave do setor
A responsabilidade de operar ativos que custam bilhões de reais justifica salários iniciais que variam entre R$ 4.000 e R$ 6.000, podendo ultrapassar os R$ 10.000 mensais em empresas de elite como Itaipu Binacional e Eletrobras. O “erro zero” é a premissa básica, e o mercado paga um prêmio alto por profissionais confiáveis e psicologicamente estáveis.
O contracheque é robusto devido ao acúmulo de benefícios legais e corporativos. O adicional de periculosidade (30%) incide sobre o salário base, somado a adicionais noturnos e de turno de revezamento, o que frequentemente dobra a remuneração líquida final comparada a outros cargos técnicos.
Usinas não param nunca, operando 24 horas por dia, 365 dias por ano. O operador trabalha em regimes de escala (turnos), o que exige adaptação do relógio biológico para trabalhar de madrugada, feriados e finais de semana. Essa rotina impacta a vida social, mas é compensada por folgas prolongadas.
A pressão é psicológica e silenciosa. Durante 99% do tempo, o trabalho é de monitoramento calmo, mas o profissional deve estar pronto para agir com frieza e precisão cirúrgica no 1% do tempo em que ocorrem emergências críticas. A capacidade de seguir protocolos rígidos sob estresse é o maior ativo desse especialista.
A porta de entrada é o curso técnico em Eletrotécnica, Mecânica ou Eletromecânica, com registro ativo no CFT. Contudo, as grandes concessionárias exigem muito mais do que o diploma básico. É necessário dominar sistemas supervisórios (SCADA) e ter conhecimento profundo sobre a geografia elétrica do sistema interligado.
Além da formação técnica, certificações de segurança são mandatórias e eliminatórias em processos seletivos. As exigências mais comuns incluem:
Quais são os requisitos para ingressar
Formação base
Certificações mandatóriasEmbora ambos trabalhem na usina, suas funções e momentos de atuação são distintos. O operador identifica a falha e isola o equipamento; o mantenedor vai a campo para consertar.
Entenda como as responsabilidades se dividem na tabela abaixo:
| Critério | Operador de Usina | Técnico de Manutenção |
| Foco | Monitoramento e Manobras | Reparo e Prevenção |
| Local | Sala de Controle (COG) | Campo / Oficina |
| Ação | Remota e Lógica | Física e Mecânica |
| Visão | Sistêmica (A Usina toda) | Específica (O Equipamento) |
Setores com alta demanda por especialistas qualificados e remuneração acima da média nacional – Créditos: depositphotos.com / leungchopan
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A automação das usinas reduziu o número de operadores in loco em pequenas centrais (PCHs), centralizando o comando em Centros de Operação da Geração (COGs) nas capitais. Isso criou uma nova demanda por operadores analíticos, capazes de gerenciar múltiplas usinas remotamente a partir de grandes centros urbanos.
A estabilidade é o ponto forte da carreira. Empregos em estatais ou grandes grupos privados de energia (como Engie, Enel e CPFL) são extremamente disputados e oferecem planos de previdência privada e participação nos lucros (PLR) agressivas, tornando a vaga um “porto seguro” em tempos de crise econômica.
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