Decisão considera que tentativa de aquisição do banco de Vorcaro pode ter afetado capacidade do Fictor para pagar contratoDecisão considera que tentativa de aquisição do banco de Vorcaro pode ter afetado capacidade do Fictor para pagar contrato

Juíza bloqueia R$ 150 mi do Fictor, que tentou comprar o Master

2026/02/02 03:51

A desembargadora Maria Lúcia Pizzato, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou o bloqueio de R$ 150 milhões do Banco Fictor, que tentou comprar o Master dias antes da liquidação extrajudicial. A decisão congela a quantia para garantir que a instituição honre o pagamento de contratos das operadoras de cartão de crédito da unidade Fictor Pay.

Segundo a magistrada, o Fictor acumulou polêmicas, “especialmente quando seu nome passou a ser cogitado como o possível adquirente do BANCO MASTER”. A decisão menciona que o grupo apresentou uma proposta para injetar R$ 3 bilhões no Master em 17 de outubro de 2025, 1 mês antes da deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

A decisão considera que, como houve liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, com uma insolvência irrecuperável, a compra de ações pelo Grupo Fictor “poderá gerar sua insolvência e provavelmente o descumprimento de sua obrigação financeira junto à empresa agravante”. Leia a íntegra da decisão (PDF – 100 kB).

Na decisão, a desembargadora considera que o Grupo Fictor detém uma vasta carteira de empresas de setores diversos, como energia, finanças e alimentos. A magistrada menciona que o grupo “ostenta o selo de patrocinador master do time de futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras”. O processo tramita em sigilo.

A desembargadora determinou o bloqueio de valor considerado que é o valor mínimo do saldo colateral para honrar o contrato da operação. A decisão cautelar foi tomada no dia 27 de janeiro, durante o plantão judiciário. “DEFIRO EM PARTE A TUTELA DE URGÊNCIA para determinar o imediato arresto cautelar de ativos financeiros da Fictor”, declarou.

De acordo com a desembargadora, a medida é “necessária, mas não será irreversível, e está sujeita a uma nova análise depois do pagamento dos valores para a empresa”.

Quando o braço de investimentos do Fictor decidiu comprar o Master, o sócio Rafael Ofécia afirmou que a operação representava um passo para entrar no mercado financeiro. “Seguimos alinhados às melhores práticas de governança, com foco na distribuição de produtos sólidos e desenhados para responder com precisão às demandas do mercado nacional. Mantemos o que sempre guiou nossa trajetória: investir na economia real”, afirmou.

O Poder360 questionou a assessoria de imprensa do grupo Fictor sobre a decisão, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

BANCO MASTER 

A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e os suspeitos de bancar a operação são os sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro

A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.

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