O dólar fechou esta segunda-feira (2) subiu 0,22% frente ao real, a R$ 5,26, acompanhando o avanço da moeda americana no mercado internacional. O movimento ocorreu apesar da valorização de algumas moedas latino-americanas.
No mercado doméstico, operadores atribuíram a desvalorização do real a um movimento de realização de lucros.
O ambiente externo também foi marcado pela queda de mais de 4% nos preços do petróleo. O recuo ocorreu após sinais de redução das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, o que diminuiu a percepção de risco no mercado de energia.
No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu cerca de 0,70% no fim da tarde, ao redor de 97,600 pontos. O indicador ainda acumula queda de aproximadamente 0,65% no ano.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
O avanço do dólar ocorreu em meio à alta dos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida dos Estados Unidos. As taxas subiram após a divulgação de dados fortes da economia americana.
O principal indicador do dia foi o índice ISM da indústria, divulgado pelo Instituto para Gestão da Oferta. O indicador subiu de 47,9 em dezembro para 52,6 em janeiro, superando com folga as projeções do mercado.
Em fala ao Broadcast, Alexandre Viotto, head de banking da EQ! Investimentos, disse que o mercado ainda avalia a indicação do ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh para a presidência do Fed, no lugar de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
Viotto avalia que o nome de Warsh reduziu temores de interferência política no banco central. Ele observa que, apesar de defender recentemente um alívio monetário, Warsh tem histórico de postura mais dura no combate à inflação e críticas à expansão do balanço do Fed.
Na avaliação de Viotto, ainda há espaço para uma nova rodada de valorização do real no primeiro trimestre, desde que não haja episódios de forte aversão ao risco no exterior.
Segundo ele, o dólar poderia recuar para a faixa de R$ 5, sustentado por uma Selic ainda elevada e pela distância temporal das eleições presidenciais no Brasil.
No cenário interno, a indicação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para uma vaga na diretoria do Banco Central voltou a movimentar as mesas de operação. A informação foi divulgada pela Bloomberg e confirmada pelo Estadão/Broadcast.
Gestores relataram que o tema foi discutido ao longo do dia, mas não houve consenso sobre impacto relevante no câmbio. Parte do mercado avalia que o perfil de Mello difere da condução mais conservadora adotada pelo BC sob a presidência de Gabriel Galípolo.
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