A Rivio, startup brasileira que utiliza inteligência artificial para aumentar a eficiência da operação de hospitais, recebeu aporte de US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) da Positive Ventures, fundo de venture capital focado em projetos de impacto.
O investimento vem apenas dois meses após a empresa ter anunciado uma rodada de US$ 20 milhões em dezembro de 2025.
Fundada há pouco mais de oito meses meses pelos empreendedores Silvio Frison e Ricardo Salles, a Rivio já opera em mais de 80 unidades hospitalares no Brasil, com uma receita contratada que ultrapassa R$ 100 milhões.
A startup diz que consegue aumentar a eficiência hospitalar entre 4% e 5% no curto prazo, impacto que pode chegar à faixa de 8% a 10% em alguns casos.
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Salles é ex-executivo da General Atlantic (GA) e um dos co-fundadores da Isaac, adquirida pela Arco Educação pelo valor de US$ 150 milhões em 2022.
Frison criou a Busca Carros, vendida para a WebMotors, e desenvolveu a vertical de score do consumidor no Serasa.
Pelo modelo de negócio, a Rivio assume a gestão financeira e administrativa de hospitais que são clientes e garante a receita dos estabelecimentos, mesmo em caso de inadimplência pelos planos de saúde.
Trata-se de um formato similar ao empregado pela Isaac na educação.
A remuneração vem de um “take rate” (comissão) sobre o faturamento total do hospital.
Diferentemente da rodada anterior, que contou com Valor Capital e Monashees, além da Endeavor Catalyst, o aporte da Positive Ventures tem um viés estratégico voltado para impacto social.
Segundo Fabio Kestenbaum, um dos fundadores da Positive Ventures, a escolha pela Rivio se baseou na premissa de que a tecnologia pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal.
“Você pode usar inteligência artificial para propagar fake news ou para melhorar a gestão hospitalar e salvar vidas. O meio é o mesmo, o impacto é radicalmente diferente”, afirmou.
O investimento na Rivio é um dos maiores cheques já emitidos pela Positive Ventures, ao lado dos que fora, destinados a empresas como Eu Reciclo e Labi Saúde.
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O recurso provém do segundo fundo da Positive Ventures, que levantou US$ 25 milhões (cerca de R$ 130 milhões) em 2023 e já realizou 23 investimentos, com forte exposição a ativos que usam inteligência artificial em setores essenciais para a sociedade, como saúde, educação e serviços financeiros.
“Nós temos muita convicção no time da Rivio, na capacidade de execução do Silvio e do Ricardo, e nessa intencionalidade de impacto, que para nós é fundamental”, disse Kestenbaum.
A Rivio atua no ciclo completo da receita hospitalar, desde o cadastro do paciente até a reconciliação pós-faturamento.
A plataforma utiliza agentes de inteligência artificial para identificar inconsistências que geram perdas financeiras aos hospitais, desde medicamentos que não são lançados no sistema a procedimentos não realizados e que podem levar à glosa, ou contestação do pagamento por operadoras de saúde.
“O nosso objetivo estratégico é utilizar inteligência artificial para deixar os hospitais mais eficientes”, afirmou Frison. Nesse curto período de vida, a startup transacionou mais de R$ 3 bilhões por sua plataforma.
“Pelos nossos números, a ferramenta mostra que em duas semanas nós já conseguimos entender em que frentes da operação o hospital está deixando dinheiro na mesa e então agregar valor nisso. Essa é uma curva que aumenta à medida que avançamos na gestão do hospital”, disse o CEO.
Um levantamento da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), divulgado em 2025, apontou que as operadoras de planos de saúde retiveram R$ 5,8 bilhões de 85 hospitais privados em 2024.
O número correspondeu a 15,89% dos pagamentos esperados e representou uma alta de quatro pontos percentuais em relação ao ano de 2023. Os dados de 2025 ainda não foram divulgados.
Atualmente com quase 100 funcionários divididos entre São Paulo e Blumenau, a Rivio tem planos de expandir para outros países da América Latina, com Colômbia e Argentina como alvos prioritários.
No entanto a decisão estratégica do conselho de administração é focar primeiro no mercado brasileiro.
“Neste momento, nós queremos resolver o Brasil antes de ir para o restante da América Latina. Sabemos que existe uma janela de oportunidade e que pessoas estão copiando a Rivio em outros países, mas achamos melhor tornar os hospitais brasileiros mais eficientes primeiro”, disse Frison.
Com valuation atual de aproximadamente R$ 500 milhões, a startup pretende utilizar os recursos captados principalmente em duas frentes: desenvolvimento de IA e contratação de pessoas para a prestação de serviços.
“A Rivio não existiria dois anos atrás porque não havia IA [generativa em larga escala]. Sem inteligência artificial, a quantidade de informações do hospital é impossível de ser gerenciada com seres humanos”, disse o CEO.
A Positive Ventures também promete conectar as lideranças da Rivio com investidores de impacto nos Estados Unidos e na Europa, além de estabelecer KPIs (indicadores-chave de performance) de impacto social e ajudar a empresa a reportar métricas que demonstrem a evolução do sistema de saúde brasileiro.
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