Governo defende separação de política e esporte nas divergências com Trump, dizendo que conflitos devem ser resolvidos na políticaGoverno defende separação de política e esporte nas divergências com Trump, dizendo que conflitos devem ser resolvidos na política

Alemanha descarta boicote à Copa do Mundo de 2026 nos EUA

2026/02/05 19:38
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O governo da Alemanha descartou oficialmente a possibilidade de boicotar a Copa do Mundo de 2026. Autoridades alemãs afirmaram na 4ª feira (4.fev.2026),  que discordâncias com as políticas de Donald Trump (Partido Republicano) devem ser expressas por meios políticos, não através do esporte. O torneio será realizado em junho nos Estados Unidos, Canadá e México.

A decisão representa uma mudança na postura alemã, que anteriormente havia considerado não participar do evento organizado pela Fifa (Federação Internacional de Futebol). Durante entrevista a jornalistas, o porta-voz do governo alemão, Steffen Meyer, defendeu a separação entre questões políticas e esportivas.

“Os conflitos políticos devem ser travados no campo político e o esporte deve permanecer esporte”, declarou.

A ministra dos Esportes da Alemanha, Christiane Schenderlein, também se manifestou sobre o assunto em declaração ao jornal Süddeutsche Zeitung. Segundo ela, Berlim “não apoia” um boicote porque “o esporte não deve ser usado para fins políticos”.

O recuo alemão acontece após um período de tensões entre Europa e Washington. Em janeiro, quando os desentendimentos sobre a intenção de Trump de anexar a Groenlândia e impor tarifas adicionais aos países europeus contrários à medida atingiram seu ponto crítico, a própria ministra Schenderlein havia deixado em aberto a possibilidade de boicote.

A seleção alemã, tetracampeã mundial, participa de todas as edições do torneio desde 1954. A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho, com partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México.

Pedidos de boicote ao torneio

Os pedidos iniciais de boicote surgiram por causa das tensões relacionadas à Groenlândia. Posteriormente, as políticas anti-imigração americanas e os incidentes em Minneapolis, onde 2 manifestantes foram mortos por agentes federais da imigração, intensificaram os apelos por não participação no torneio.

No final de janeiro, o ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter, reforçou o apelo feito por um advogado anticorrupção suíço para que as pessoas “evitassem os Estados Unidos”.

Segundo a revista alemã Spiegel, diversos eurodeputados de esquerda enviaram na 4ª feira (4.fev.2026) uma carta à Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) solicitando a análise de possíveis sanções, incluindo um boicote, em resposta às “medidas políticas” e à “retórica” de Trump.

O atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, posicionou-se contra os boicotes na última 2ª feira (2.fev.2026). Para Infantino, tais ações “simplesmente contribuem para mais ódio”.

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